O título desse texto, será parte do início de seu corpo: "você já liberou seu ódio hoje?". Quem anda perguntando-se isso? Sabe-se lá... Afinal, eu sou um cara estranho. Dessa forma, em sendo estranho, dou-me o direito de fazer perguntas estranhas, decerto. Eis a minha de hoje quando olhei os noticiários e observei o comportamento humano através das ruas e mais ainda das redes sociais. Além de estranho, sou pessimista, valho-me daqui para dizer. Ainda bem que minha estranheza ainda me permite trazer algo de bom humor enquanto olho as coisas, caso contrário meu pessimismo que é bastante grande tomaria conta de mim e de meus olhos, Eu estaria de olhos ardendo ou cego caso não me deixa-se ter essa parcela de bom humor diante do mundo em que me insiro.
Vejo o mundo em total destempero e despreparo para a convivência social. Sim, isso não é novidade nem uma descoberta da minha estranheza ou de meu pessimismo. Sempre fomos seres violentos, pouco cooperativos diante da desgraça alheia e cruéis, é fato. Decerto, entendi observando: com o advento da internet e das redes sociais, com essa ultra-exposição em tempo real, vinte e quatro horas por dia, nessa corriqueira e incessante divulgação de ideias e ideais que se assemelham ou divergem do que temos por fato social, conforme conceitos de Durkheim, vejo que estamos nos atrevendo a adentrar territórios antes já percorridos. Territórios esses que já deram muito errado e muitos morreram. Sim, falo dos totalitarismos, das incapacidades de reconhecer o diferente e aceitá-lo, do radicalismo torpe e intolerante.
Quanto ao conceito de fato social citado, em linhas gerais, eu definiria, pelo que entendo (e desculpem-me os estudiosos do assunto se me equivoco), como a inserção de "normas" em maneiras de agir, sentir e pensar que temos por socialmente aceitas e que exercem, por isso, sobre nós um poder de coerção - consciente ou inconscientemente - enquanto indivíduos sociais que somos, inevitavelmente. Aceitar a nós todos enquanto fadados ao convívio com o outro e, por isso, ter também que aceitar as diferenças, seria necessidade premente, mas ainda não aprendemos isso e, o que é ainda pior nisso tudo: estamos refinando a disseminação de intolerâncias e métodos de violências perpetuadas, sob nosso silêncio, sob nossa aceitação pacata - afinal, concordando ou simplesmente não impondo forças contrárias para frear o processos em si nos torna coniventes
Vi por diversas vezes recentemente discursos de parlamentares incitando, sim, incitando intolerâncias, violências, estupro, sim, estupro e até mesmo agressão física. Está para todos verem nas redes sociais, redes de arquivos em vídeos pela internet etc. Vi isso difundido na mídia, vomitado nos jornais sem uma ampla discussão ou alarde quanto aos discursos mediante os quais me vejo pasmo. Testemunhei, ademais, assustado, o discurso ser endossado, defendido por tantos brasileiros. Todos leram? Ouviram? Não sei. Como disse: sou estranho! Posso ter ouvido, lido e entendido tudo errado de todos os discursos, de toda aquela, para mim, incitação de intolerâncias e violências. Além disso, parlamentares, sim, parlamentares - representantes do povo e das leis que tomam ou hão de tomar rumos - com discursos agressivos contra pobres, nordestinos, menores de idade caídos mediante a "bandidagem", contra homossexuais... Também vi isso. Viram? Nem sei o que pensar.
Quanto ao conceito de fato social citado, em linhas gerais, eu definiria, pelo que entendo (e desculpem-me os estudiosos do assunto se me equivoco), como a inserção de "normas" em maneiras de agir, sentir e pensar que temos por socialmente aceitas e que exercem, por isso, sobre nós um poder de coerção - consciente ou inconscientemente - enquanto indivíduos sociais que somos, inevitavelmente. Aceitar a nós todos enquanto fadados ao convívio com o outro e, por isso, ter também que aceitar as diferenças, seria necessidade premente, mas ainda não aprendemos isso e, o que é ainda pior nisso tudo: estamos refinando a disseminação de intolerâncias e métodos de violências perpetuadas, sob nosso silêncio, sob nossa aceitação pacata - afinal, concordando ou simplesmente não impondo forças contrárias para frear o processos em si nos torna coniventes
Vi por diversas vezes recentemente discursos de parlamentares incitando, sim, incitando intolerâncias, violências, estupro, sim, estupro e até mesmo agressão física. Está para todos verem nas redes sociais, redes de arquivos em vídeos pela internet etc. Vi isso difundido na mídia, vomitado nos jornais sem uma ampla discussão ou alarde quanto aos discursos mediante os quais me vejo pasmo. Testemunhei, ademais, assustado, o discurso ser endossado, defendido por tantos brasileiros. Todos leram? Ouviram? Não sei. Como disse: sou estranho! Posso ter ouvido, lido e entendido tudo errado de todos os discursos, de toda aquela, para mim, incitação de intolerâncias e violências. Além disso, parlamentares, sim, parlamentares - representantes do povo e das leis que tomam ou hão de tomar rumos - com discursos agressivos contra pobres, nordestinos, menores de idade caídos mediante a "bandidagem", contra homossexuais... Também vi isso. Viram? Nem sei o que pensar.
Claro, há riscos de erros e surgimento de discursos agressivos quando qualquer conjunto de humanos reúna-se para debater qualquer tema, ainda mais quando seja polêmico, mais ainda: quando ultrapassa os limites impetrados do fato social de Durkheim em nós. Mas o que será desses discursos e dos atos de agressividade que temos a cada dia mais aflorados e vulgarizados, pluralizados? Serão mesmo assim tolerados, impunemente? Sabe-se lá o que irei eu acreditar de expectativa de mundo para os meus filhos - filhos esses que hoje nem mesmo mais penso em tê-los, pois já os amo e quero a eles o bem.
Ora, temos por normais, corriqueiras, atitudes de agressividade e violência no trânsito, na prática de esportes (vide nosso futebol), nas retratações ora mais, ora menos reais das tele-novelas... Tudo é tido por "normal". Talvez o seja. Mas assim será? Conviveremos nesse mundo que lava as mãos frente à delinquência desenfreada de todas as esferas? O cidadão comum (exposto à educação precária que temos e à violência e impunidade que habituamo-nos a conviver nessa terra aparentemente sem lei) agir com destempero, despreparo diante das adversidades e discursos contrários com agressividade e despudor, de certa forma, até me permito tentar entender... Mas aceitar parlamentares, representantes do povo dentro do Estado, sob aplausos, defenderem seus discursos de ódio e intolerância, incitando ódios? Não consigo. Não consigo. Mas, é fato: sou estranho e mal entendo das coisas...
Porém, nas mesmas redes sociais e de mídia como um todo, vi clamores de ódio quando, em mais de uma região do país, tivemos pobres sendo achincalhados, espancados, amarrados em postes após delitos, a despeito da lei vigente que naturalmente tomaria parte nos acontecidos... Aquele ladrão qualquer (não foi apenas um, mas vamos em frente), aquele, melhor dizendo, ladrão pobre qualquer (nascido e criado em meio às dificuldades das periferias, exposto às violências e injustiças diárias às populações menos favorecidas - fato que logicamente não justifica, mas entra em questão) quando roubou, teve contra ele todos clamando por "justiça" e querendo punição, prisão, violência contra o mesmo. Quiseram também condenação - mesmo que ele fosse "menor de idade". E os "maiores de idade" representantes do Estado? E os discursos de ódio? Incitam algo? Atrapalham em algo? Devemos agir de alguma forma? Em resumo: apenas devemos culpar, bradar contra e criminalizar o ladrão "comum" que, numa rua comum, roubar coisa comum - qualquer que seja? Seremos intolerantes apenas com esse fato, decerto...
Enfim, eu já esperava. A intolerância e as "violências" não serão todas elas punidas. Afinal, os parlamentares que estão a dizer coisas, agitando bandeiras de intolerâncias, violências e radicalismos, todos eles, foram entregues à representação do povo por nossa conta, por nós próprios: o povo! Que assim seja então - ou em vão , quiçá. De tudo, apenas sei que sou mero ser estranho tentando me adequar. Concluí, algo desanimado: é mais fácil odiar que tentar entender e, com isso, mudar.
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier
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de maio de 2015; texto disponibilizado inicialmente em outro blog
