A doce tonalidade falsa, rósea, da pele nacional doente, trajada de sã, enoja os estômagos cansados de digerir conteúdo insosso dos noticiários. Sim, os aplausos à insanidade têm surgido aos montes. Vemos um cenário insano de atrocidades onde os culpados são tidos por inocentes; os inocentes transfigurados na imagem de condenáveis ou condenados. Quem somos nós?
Em cenário de deturpação, criando-se inimigos antigos com imagem de recentes, o país sucumbe. A ética de nada serve. Queimam-na. E os restos da ética destroçada são expostos nas redes sociais em discursos pseudo-éticos, pseudo-altruístas de gente comprada pelo capital de empresas que, no final das contas, querem, unicamente, seu próprio bem, mesmo que, para isso, deixem o país e seu povo, majoritariamente pobre, na bancarrota.
Ser brasileiro é, atualmente, acostumar-se com o mal inevitável da imbecilização tendenciosa do povo e do constante direcionamento como massa de manobra sob clamores do interesse daqueles que, acima de tudo, nos comandam: os donos do capital. São eles os donos de nós todos, queiramos aceitar isso ou não. Somos testemunhas e vítimas dos seus privilégios e, infelizmente, somos a massa que sustenta os alicerces dessa realidade.
Somos, dando tantos créditos à devassidão da mídia vendida e abrindo portas às vozes alheias ao passo que calamos nosso bom senso: algozes do nosso país e de nosso futuro. Desde agora, precisaríamos nos ver tal qual voluntariamente (e de forma tão veemente) escravos da voz alheia e do interesse de outrem, a despeito do de nosso povo. Mas isso seria pedir demais para nós, massa imbecilizada.
Somos vítimas de nós mesmos, decerto. Com isso, os donos do capital são nossos donos. Assim tem sido. Assim foi. Provável que assim seja.
Somos vítimas de nós mesmos, decerto. Com isso, os donos do capital são nossos donos. Assim tem sido. Assim foi. Provável que assim seja.
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier
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Texto escrito em julho de 2015