quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Sementes novas

Quantos jovens precisam morrer para levar adiante o sonho de justiça? 
Quantas famílias ainda se perderão nos preconceitos transmitidos, repetidos, velados?
Quantos mais de nós terão que vender-se ao modelo do capital e do interesse?
Quantas foices serão jogadas ao chão, vozes caladas? 
Quantas espadas nos serão enfiadas?
Qual será o peso de nossos bolsos? 
Maior que o de nossas memórias?
Quantos sonhos deixaremos para trás? 
Matarão todos eles - e todos nós? 
Venderemos nossa história?

O modelo que nos cerca, cerceia nossos direitos de sonhar, amar, de ser livre?
Óbvio que sim, mas vendem-nos a ideia de que seja tudo isso bom para nós!
Não, não é! 
Morrem pessoas diuturnamente exploradas, escravizadas, silenciadas...
Lei Áurea é somente parte da história que ainda não acabou... 
Trabalho escravo é real! Somos parte silente dessa escória...
Escória de sociedade! 
Escória de constituição! 
Somos povo viril, morto, entregue, no chão!

Se deitados no berço (que ainda pode ser) esplêndido, ficamos acobertados,
Pois, quietos, vulneráveis, desunidos, no chão: não causamos medos ou impactos!
Que haja mais corajosos que desafiem os mandantes e seus pactos!
Pactos com a justiça - que é cega e seletiva. 
Pactos com os donos do poder - que vendem-se aos interesses dos "grandes"...
Pactos pelo dinheiro, pela f'orça, pela sociedade corrompida que vemos perpetuar!
Vendemos nossos sonhos e nossas almas aos interesses alheios.
Calados, sem forças, sem atitude: somos um exemplo ignóbil às crianças, aos jovens!
Somos uma geração que entregou-se!

Mas, aos poucos, a juventude levanta-se! 
Irrompem do nosso carcomido solo sementes belas de árvores frondosas!
Vemos, em vislumbre de esperança: um novo povo que surge!
Temos nas ruas um grito, saído das almas, que urge!
Ocupam-se escolas, gritam-se brados retumbantes!
Afrontam o poder que coibi, cerceia, oprime - mas que deveria estar do lado do povo!
Enfrentam o Estado de frente - pois sabem que: são eles o Estado e a frente das coisas!
Tomam para si a força da mudança, a fé e esperança que nos trarão o futuro de volta...
Os sonhos de volta... A vida de volta... A justiça de volta!
Para uns parece revolta, mas estão escrevendo o país prometido!

O que é para ser podre, morre! 
Nós, geração alienada e vã, estamos, por sorte, apodrecendo!
Nascerá do adubo deixado pela nossa podridão uma geração dessas sementes novas!
E essas tais sementes irão coroar nossa nação com a ordem e progresso esperados.
Ordem e progresso sonhados como futuro palpável um dia...
E serão tidos por preceitos que transpassem o trivial bordado de nossa bandeira.

Pedro Igor Guimarães Santos Xavier