quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Qual o custo daquilo que temos?

Hoje, temos um país em que um senador pode ser preso - coisa que nunca antes existia (era só coisa de ficção!).

Hoje, temos um país onde uma enormidade de casos de ultraje à ordem pública, aos cofres públicos e etc passam a ser julgados, condenados.. Tomam rumos na lei que temos! 

Hoje, temos um país que permite ser exercida a função de seus dirigentes da lei investigarem e agirem - através das armas que nossa justiça tem: leis, constituição! 

Hoje, temos um Ministério Público Federal que pode trabalhar, caçar, mandar prender... Coisa que há pouco mais de uma década atrás inexistia.

Hoje, temos uma Polícia Federal que pode atuar, investigar, colocar atrás das grades inclusive o caso do senador - referido acima... Coisa essa que não ocorria há pouco mais de uma década atrás.

Hoje, temos um país que consegue publicar na mídia que um político seu "emprestava" aviões, pagos pelo dinheiro do contribuinte, para seus próximos, bem como tenha feito uso de aeronaves pagas pelo dinheiro do povo para viajar às prais, à casa da namorada, a carnavais - coisa que não deu em nada, mas é um fenômeno saber que pode ser descoberta e publicada - coisa que inexistia até há poucos pares de anos.

Hoje, temos um país que joga na cara da sociedade temas para discussão que muitos não gostam. Quais? As causas das minorias, p.ex.! Nunca antes discutidas abertamente, hoje há discussões plurais - até no ENEM elas tomam frente, fazendo nossos jovens repensarem seus mundos. Quando discutidas em tempos passados, tivemos muita gente extraditada, morta nos porões de quartéis e perdendo a nacionalidade, bem como suas vidas.

Hoje, temos um país que discute abertamente a atrocidade da violência contra as mulheres, tendo criado para sua proteção a Lei Maria da Penha. 

Hoje, temos também um país onde a atrocidade da violência (com tantas mortes) contra homossexuais nas ruas é debatida e a luta para que isso acabe e haja punições toma rumos históricos.

Hoje, temos um país em que a morte de negros nas ruas passa a ser vista, debatida, causando alarde e comoção, bem como um país onde esse tema passa a ser, finalmente, motivo de espanto pelos números de tamanha atrocidade. 

Hoje, ainda sobre o tema acima referido: temos um país onde as pessoas não mais aceitam a condenação étnica. Além disso, conseguem as pessoas se unir contra isso, publicar em meios de informação/comunicação sobre/contra isso - p.ex., nas redes sociais ou outros meios - sem ir para cadeia, jaula etc. Também, fazem isso e não são torturadas fisicamente (torturadas essas pessoas "apenas" são, nesses casos, pelo ódio que recebem nas redes por defender causas assim).

Hoje, temos um país em que empregador e empregado disputam a compra de produtos semelhantes, bem como os mesmos espaços em aviões ou em nos roteiros de viagens pelo mundo afora. Uns pagam à vista, sabemos. Outros à crédito, claro. Mas todos têm acesso! Acesso a tantas, tantas coisas de usufruto comum para a felicidade material no dia a dia. Isso inexistia até há poucos anos atrás. Ser pobre era condenação de passar necessidades e ausentar-se de tantos prazeres.

Hoje, temos um país onde não há mais milhões de crianças e outros brasileiros que passam fome! Isso era absurdamente comum há menos de duas décadas - embora não cause alarde ou tenhamos esquecido! Não ser do "Mapa da Fome" gerou menos alarde e comoção que muitas coisas irrelevantes, mas, enfim: não somos mais parte desse mapa.

Hoje, temos um país em que você pode inclusive gritar para que seu líder de Estado "vá tomar no *ú" e não ser imediatamente preso, levado a uma jaula para ser espancado e torturado lá como ocorria há poucas décadas atrás. 

Hoje, temos um país que luta por ser nação! 

Hoje, temos um país que luta por recontar sua história - até há pouco tempo, apenas quem era dotado de poder nas mãos contava versões das coisas, fatos e passado. 

Hoje, temos um país que luta por dar voz aos mudos que sempre existiram - calados pelo silêncio imposto, num raciocínio de que não mereciam ou poderiam ter voz.

Hoje, temos muitas coisas. Mas nem tudo convém a todos. E a parte que não se agrada dessas coisas se enraivece.

Veremos somente no futuro qual projeto de país irá vingar. Que estejamos vivos, livres e mais atentos quando esse dia chegar.
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier