Irrompeu de dentro de mim
Todo um barro que jazia.
Arrebentou tudo adiante, sim.
Destruiu casas e vidas que havia!
Deixei crescer naquele barro
Toda uma minha ganância.
Marcados ficaram o chão, como sarro,
As pessoas e as matas... Sem relevância....
Eu, que há décadas, vendi-me tão barato,
Fui entregue a um dono estrangeiro a mim.
Não ligam ao presente aquilo, é fato.
Anos depois: Rio Doce morreu! Ficará assim?
Quem sou eu para voltar aquele momento?
De nossa infâmia, quanto vale o preço?
Vendem nos jornais mentiras que, como o vento,
Despercebidas, renegam as culpas que eu mereço.
