quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Todos querem um país melhor!

Todos querem um país melhor? Creio que não todos, mas, é fato: somos a imensa maioria. Porém, é interessante um país melhor? Depende para quem. Os donos do poder de mudar o país não necessariamente querem isso. Somos comandados pelos poderes das corporações. Em certas épocas, umas sobressaem, em outros momentos são outras que saem na frente, mas sempre estamos comandados por interesses que não são simplesmente nosso bem estar, menos ainda o progresso social - embora não tenhamos essa realidade como um dado assustador e preocupante.

O país, em si, desenvolver, é ótimo às corporações que têm interesse em nossas terras. Claro! Quanto mais nossos mercados fizerem circular dinheiro, quanto mais nosso país for um bom pagador de dívidas e seus juros: melhor para elas. Isso é imensamente sabido quanto aos bancos, mas não nos causa alarde nem comoção. Dirão alguns defendendo os bancos: "dívida é dívida!". Porém, o país melhorar, as condições do povo tornarem-se de maior ordem e mais, com isso, progresso: não necessariamente é o interesse de quem tem poderes sobre nós. Estamos atentos a isso? Creio que não!

Vamos falar de segurança pública. Violência dá dinheiro? Se dá, dá apenas aos traficantes, ou aos membros da periferia que assustam o centro da cidade? De forma alguma. Violência gera temor, gera terror e quem controla isso, em boa parte, está sentado em cadeiras confortáveis em escritórios nas zonas mais ricas das cidades importantes mandando e desmandando, controlando os mecanismos de inserção do medo na nossa população, estejamos atentos a isso ou não! Tráfico é coisa da periferia? Não! Drogas são um mal assim como o porte ilegal de armas. Tanto armas quanto drogas (as ainda ilícitas) são, por lei, ilegais em nosso pais. Porém, representantes de nosso poder já foram vistos armados em atos públicos nas ruas, bem como helicóptero com cocaína já foi apreendido em terras de membros do governo. Alarmante é o fato que isso não nos assusta e "deixamos passar"... Quem mantém a violência, quem mantém o medo, quem mantém a mídia incessantemente vomitando barbárie em nossas casas em "programas policiais" diuturnamente ganha com isso! Sociedade oprimida pelo medo e pela barbárie é, assim como uma sociedade ignorante, fácil de ser manipulada.

Vamos então falar agora de educação! Sim, à falta dela atribui-se a ignorância. De fato, pode-se correlacionar, até mesmo pelos dicionários, educação e ignorância como palavras opostas, dissonantes. Porém, o que é educar? Vejo nas ruas clamores sociais por educação! Vejo também uma elite (pessoas de classes média alta e alta) pedindo intervenção militar no nosso país. Preocupante? Dissonantes são os discursos? Sim, ao meu modo de ver! Afinal, foi a própria ditadura militar que baniu belos avanços educacionais que estávamos iniciando às classes socialmente baixas (prioritariamente) através da atuação de Paulo Freire, nobre educador brasileiro, bem como fomentados pela atuação de outras personagens como, p.ex., Darcy Ribeiro. Ambos foram usurpados. Retiraram-lhes seus sonhos e lhes "demitiram" do país - exílio! Faltou a essa "elite" então o que, em termos de educação, para saberem disso? Tiveram boas escolas, foram bem nutridos, mas mesmo assim não conhecem bem a história de seu próprio país e de seu processo democrático eleitoral. Entendi que ignorância então é mais questão de escolha que de falta de nutrientes ou de escolas. Falta-nos muito para entendermos a nós mesmos... Povo sem educação adequada, mais que isso, povo sem estímulo à conquista de conhecimentos, à reflexão e à auto-crítica, como, p.ex., Ruben Alves propunha, célebre educador, é fácil de dominar. Temos a mídia como um real e vil opositor ao nosso progresso nesse quesito, mas estamos confortáveis demais em nossos sofás enquanto nos dominam intelectualmente e nos massificam enquanto sociedade insólita...

Penso então em falar de saúde. Claro! Outro clamor eterno do povo. Estamos em pleno momento de ódio quanto à vinda de médicos cubanos para cá. Falar "Mais Médicos" sem tons de ódio quase que, automaticamente, te torna um ser odioso e potencial vítima de alguma agressão - verbal ou física. Mas nosso sistema de formação de profissionais da saúde é auto-suficiente? Em relação aos médicos, em particular, faltam ou não união e real interesse de luta pelo SUS? Vemos um enorme crescimento, em ofensiva clara, do poder do capital de planos de saúde, saúde privada, por sobre os avanços do SUS. A categoria médica está dedicando-se ao máximo ao SUS, ou mais fácil, como sempre, é criar um culpado avulso, "o governo", e insistir em nada fazer? Fomentamos a participação de médicos e profissionais da saúde nos Conselhos Municipais e Regionais de saúde? Uma vez sendo o repasse de verbas quase automático do Governo Federal para os Governos Estadual e Municipal: exigimos de nossos governadores e prefeitos os investimentos com essa verba? Quantos Hospitais Regionais temos sendo criados para favorecer a inserção dos profissionais de saúde no interior? Temos clamado nas ruas por isso? Temos exigido isso! Temos tentado apoiar, enquanto categorias da saúde e enquanto povo, a criação de planos federais e estaduais de carreira para os profissionais da saúde? Não! Quer sejamos membros das categorias de trabalhadores da saúde ou cidadãos outros: estamos muito aquém de termos autoridade moral alguma para reclamar qualquer coisa. Somos habituados apenas a reclamar, afinal: "quem não chora não mama", diria nosso mote popular... O que estamos mamando? Conforto de acreditar que temos algum mérito em nossos discursos revoltados.

Há uma infinidade de assuntos para debatermos. Muitos, como, por exemplo, observar a assiduidade de nossos vereadores, prefeitos, parlamentares etc em suas reuniões de presença obrigatória - eu diria! Sim, deveriam ter 100% de presença, todos! Raras deveriam ser as faltas. Mas acompanhamos isso? Não! E temos meios para tal. A juventude, entendida de tecnologia e de internet, deveria atuar ativamente nisso. Mas o fazemos? Não! Pelo contrário, num processo de imbecilização geral, clamamos nas ruas e defendemos quase que aos berros pessoas que deveriam nos representar bem criando bons projetos, debatendo leis no legislativo e cobrando o poder executivo, mas nem 90% de presença boa parte deles, nas reuniões, conseguem manter. Temos um parlamentar que revolta alguns, reconhecido como "palhaço", mas que mantém-se apresentando 100% de assiduidade, ao passo que muitos "políticos de carteirinha", de "carreira", com nem 80%, ou 90% sendo defendidos em discursos abertos... Assustador? Aparentemente não! Qual seria um bom mote nas manifestações para algo assim quando um político aparece? Serve como exemplo esse: "faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço!". Não entendo nosso povo...

Então, para finalizar, tento resumir: todos nós (maioria) queremos o bem do país. Alguns não, pois, como eu disse antes: certas mazelas perpetuam interesses de corporações e contra elas nada temos feito. Há sim pessoas em nosso país - isso ocorre em todos os países - que trabalham para manutenção de boa dose de caos. Mas, voltando: a maioria de nós quer o bem nacional. Porém, se você é daqueles que automaticamente classifica as pessoas como "coxinhas" e "petralhas", ou "elite" e "classe trabalhadora", entenda: você caiu nas redes do processo de imbecilização que há em nosso país (majoritariamente fomentado pela mídia e as ditas "redes sociais")! Se você debate com consciência, sem reações de ódio ou cria inimizades por causa de política, priorizando os argumentos, não simplesmente "seu lado" ou sua posição social: parabéns! Se você consegue entender que defender ideias socialistas não torna um cidadão fadado a um voto de pobreza, ou seja: se você não usa termos como "esquerda caviar", você conseguiu sair desse processo de imbecilização! Se você respeita quem defende as instituições financeiras e a tal meritocracia (aqueles que acreditam que o capitalismo é sim um modelo viável) e mais ainda quando esses fazem sua parte pelo bem social, de alguma forma razoável: você escapou dessa imbecilização! 

Não incentive o ódio! Não limite pessoas a definições odiosas e nada progressistas. Faça sua parte inclusive sendo um cidadão moralmente evoluído. Digo isso no sentido de incentivar a cordialidade nos debates, a  idoneidade na vida particular e o bom exemplo de gentileza e cidadania no cotidiano - afinal, moral é um conceito muito amplo! Estejamos abertos ao debate, ao diálogo e menos abertos apenas ao que os mesmos canais, os mesmos jornalistas, as mesmas pessoas comuns e os mesmos políticos dizem. Busquemos mais! Sejamos mais! Somente assim, exigindo de nós mesmos algo de melhoria diariamente, seremos num futuro um povo melhor e, automaticamente, teremos o sonhado país melhor ou "país do futuro".
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier