Enquanto esperava o dia passar e minha cabeça acalmar diante de certas coisas, li: "Aqueles que dizem: Senhor! Senhor! não entrarão todos no reino dos céus; mas somente entrará aquele que traz a vontade do meu Pai que está nos céus. Vários me dirão naquele dia: Senhor! Senhor! não profetizamos em vosso nome? não expulsamos demônios em vosso nome e não fizemos vários milagres em vosso nome? E então eu lhes direi claramente: retirai-vos de mim, vós que fazeis obras de iniquidade" (São Mateus, cap. VII, v. 21, 22, 23).
Refleti após isso conforme já vinha refletindo há anos na minha caminhada a partir do que já vi e convivi - já não sou tão novo quanto antes. Pensando aos moldes do filho de Deus da era cristã e no "Pai que está nos céus": defendia-se e era pregado que amontoássemos riquezas e as proliferássemos para nosso mero desfrute ou ainda para ostentação aos olhos alheios, inclusive em canais de TV? Queria que fechássemos os olhos aos carentes e expostos aos reveses da vida comum - coisa que boa parte de nós nunca teve a falta de sorte de sofrer? Queria que defendêssemos um sistema de funcionamento social - digamos assim - que baseia-se na chamada "meritocracia"? E, se nesse último item haja um "sim" como resposta: meritocracia não era, para Ele, muito mais um testemunho de elevação espiritual e moral que uma maior adequação ao sistema de produção de riquezas para si próprio - e para o Estado? Ademais, ainda sobre a última frase e progredindo a reflexão: "Zaqueu"(personagem na Bíblia, vide São Lucas, cap XIX, v. 1 a 10) não foi tido por "salvo" quando disse: "se causei dano a alguém, no que quer que seja, eu lhe retribuirei em quádruplo..."? Retribuição essa não tida por financeira, saiba-se ler.
A história do "muito se pedirá ao que muito recebeu" talvez seja mal interpretada por mim quando vejo o que o mundo é hoje, o que as pessoas almejam e idolatram e mais ainda vendo o que defendem tantos religiosos ditos "cristãos". Sou um confuso, eu acho! Entendo pouco do mundo e menos ainda da religião cristã, percebi, pelo que descubro vendo da obra de Deus nesse planeta o que bradam em nome dEle.
Ao final das minhas contas, ainda esperando o tempo passar e uma definição conclusiva naquela tarde em que estive avulso do mundo, entendi que, apesar de já passados 2015 anos da era tida por cristã, com tantos cristãos que bradam por aqui e acolá sobre suas riquezas e benesses a si mesmos (pois os que bradam pela defesa dos direitos dos menores pouco ou nada bradam aos ouvidos de forma vã - vide Gandhi, Madre Tereza, Chico Xavier etc), com tantos que se dizem escolhidos e tal: eis que nada aprendemos e o chamado inferno (aos que creem nele) estará cheio de gente conhecida... Para além disso, uma última passagem me vem à mente: "o homem não possui de seu senão aquilo que poderá levar deste mundo".
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier
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Texto de maio de 2015.
