quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Qual povo é esse meu?


Aos aumentos da gasolina,
Agregaram-se mais clamores
Que as matanças das chacinas.

O dólar que viu-se subindo,
Deixou mais raivoso o povo
Que a barragem que se viu partindo.

A avenida sem carros, dada ao lazer,
Traz mais destaque nos jornais
Que os alunos querendo debater.

"Famílias tradicionais" foram determinadas
Sob preceitos (e preconceitos) fantasiosos
Tal qual aqueles dos contos de fadas.

E, livre, um avião fez tantas viagens. Centenas!
Mas ninguém quis saber de aeroporto...
Farras de alguns não nos são obscenas?

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Do Rio Grande do Sul, ao Acre, no Norte,
As leis legislam sob a égide dos que têm poder!
Aos outros, nós: restam a morte ou a sorte!

Quem dera fôssemos um povo forte...
Somos fadados ao descalabro 
De sermos tratados como gado de corte!

Nesse matadouro, há índios assassinados!
Perdem suas terras e suas vidas.
Morreremos todos, coniventes, esfarrapados!

Alimentam nossa esperança.
Enchem-nos o "bucho" de sonhos.
Encarceram eles todos, sem fiança.

Havia em mim tanto pessimismo,
Travestido de desconfiança pura...
Resta hoje, sob a realidade dura: cinismo.

Cínico, criei para mim a proteção!
Claro, não fui eu quem inventou isso!
Aprendi observando meu povo em ação.

Pedro Igor Guimarães Santos Xavier