A vida é, na verdade, um construir-se e um desconstruir-se para reconstruções necessárias. Somos seres inacabados. Guimarães Rosa já defendia essa tese, por sua vez, já debatida por grandes mentes do passado. Verdade é, creio eu! Não posso dizer: verdade é, portanto, pois sabe-se lá o que pensariam disso. Estamos na época do ''politicamente correto'', é verdade. Penso então que nem todos acham mentes como Guimarães Rosa brilhantes... Correto? Faz parte da construção (e desconstrução) da sociedade, esse imenso organismo, aprender a quem quer reverenciar e seguir... Estamos ainda aprendendo.
Precisamos seguir rumos, mentes, ideias e filosofias. Disso tudo surgem os ideais! Tantos batem no peito com empáfia acreditando serem livres pensadores, mentes abertas às realidades cosmopolitas, desfeitos quanto a quaisquer preconceitos. Sabemos que pessoas assim são tolas, mas não podemos falar. Pessoas tolas são muito melindradas! Seguimos o mundo convivendo então com pessoas que dizem não crer em nada nem seguir nada, acreditando-se pensadores independentes, assim como há pessoas que orientam-se por filósofos quaisquer que sejam - pensadores da condição humana, pensadores religiosos, pensadores econômicos, pensadores políticos... Há esferas de pensamentos e, com elas, filosofias demais para o mundo. Isso é essencial! Estamos nos construindo. Porém, também nos desconstruindo. Vejo muito triste isso... Espero estar vendo errado!
Precisamos de mentes que pensam e refletem. Precisamos de pensadores! Quem dera todos entendêssemos sua importância e lutássemos pela sua devido valorização. Porém, coitados, morrem quase todos largados em maior ou menor grau de relevância. Decerto, nada intentam nos meandros do capitalismo chulo como quem faz-se pensador para enriquecer. Isso podemos reservar como caminhos aos pensadores do capitalismo, ou do poder econômico, ou tantos exemplos de pensadores políticos. Grandes pensadores que visam, focados, o bem estar humano acima de tudo, intentam difundir seus ideais sem trazer para si méritos exclusivos ou riquezas escusas. Não querem ''confetes'', ''serpentinas''... Quem faz o carnaval com as ideias alheias é a mídia que, em vendo valores naquilo, repassa pensamentos na medida do que lhe convém. Sim, na medida do que lhe convém! Afinal, os poderosos da mídia querem apenas ganhar dinheiro às custas de um pensamento alheio, uma ideia, uma filosofia qualquer e se apoderar deles até onde seja conveniente fazê-lo.
Estamos diante de um cenário estranho em que mentes menos favorecidas do ponto de vista do pensamento e reflexão amplos - repito, de pensamento, não disse inteligência! - estão sendo perpetuadas, mantidas na mídia, mantidas, com isso, no dia a dia e mentalidade ainda em formação de nossa sociedade. Sim, redarguirão alguns afirmando que todos podem induzir uma corrente de pensamento. Claro! Estamos eternamente em formação, é lícito e justo dizer. Mas correntes de pensamento são mais ou menos aprofundadas em benefícios ao todo. Dessa forma, vemos correntes culturais em nosso país advindas das influências externas (tantas!) trazidas desse mundo globalizado que temos estando a engolir nossas raízes a todo custo. Estamos corroendo alicerces de nossa nação sem nos atentarmos a isso, aparentemente. Mentes que difundem alguns desses pensamentos, tomadas de enorme poder dado pela mídia (e pelo capital!), atingem os mais recônditos locais do nosso país e, nisso, sufocam as manifestações definitivamente populares, nacionais que deveriam perpetuar-se, mas as desenhamos nesse processo vulgar de desconstrução. Vemos um cenário de morte à cultura nacional, estando essa realidade mortífera a ser aplaudida de pé, conosco de olhos abertos - porém cegos, é o que entendo!
Repensemos nossos gostos musicais, nossos gostos por leitura, nossos gastos intelectuais e culturais. Nossos gostos quanto à cultura estão envolvidos numa carapaça (vendida como inofensiva) de globalização e intenções de riqueza enormes, camufladas, mas - como nos é cômodo - nem mesmo se fosse cristalina tal influência nos daríamos conta dela ou nos atentaríamos. Estamos entorpecidos a cada dia mais por uma realidade que nos consome as entranhas culturais, destroçando a cultura brasileira e raízes de nosso povo, bem como deixando-se perder no tempo os pensadores brasileiros, os ideais nacionais que até a globalização ainda mantinham alguma força estável, mas vão perdendo, perdendo, perdendo rumos, força e credibilidade quanto aos discursos em defesa dessa realidade pela qual nos deixamos ser engolidos. Saibamos valorizar nossa cultura que ainda habita nosso solo pátrio perdida entre quatro paredes de pequenas localidades de diminutos, médios e grandes centros - saibamos disso! Saibamos valorizar antes que nos tornemos estrangeiros em nosso próprio país.
Diz-se que a colonização estrangeira é tida como encerrada na proclamação da república. Queria que assim tivesse sido, mas creio, pensando profundamente sobre o assunto, que está apenas começando novamente. Precisamos reconstruir a nação dos alicerces que ainda restam. Caso contrário, dentro em breve, quaisquer intenções de reerguer nossa cultura serão fadadas a agir a partir do pó, apenas do pó do que fomos culturalmente, que terá restado da desconstrução - e desserviço! - que temos perpetuado na pátria brasileira.
Diz-se que a colonização estrangeira é tida como encerrada na proclamação da república. Queria que assim tivesse sido, mas creio, pensando profundamente sobre o assunto, que está apenas começando novamente. Precisamos reconstruir a nação dos alicerces que ainda restam. Caso contrário, dentro em breve, quaisquer intenções de reerguer nossa cultura serão fadadas a agir a partir do pó, apenas do pó do que fomos culturalmente, que terá restado da desconstrução - e desserviço! - que temos perpetuado na pátria brasileira.
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier
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de janeiro de 2015; texto inicialmente disponibilizado em outro blog.
