Estou enfarado. Cansei de ser humano! Melhor seria ter nascido cão, animal dócil, amoroso e que consegue acreditar no amor de seu dono mesmo apanhando e sendo esquecido como animal qualquer. Há algumas semanas, atentados mataram jornalistas franceses. Vimos isso! Pessoas morreram. Claro que deve haver o luto. Mas o que fizemos? Clamores de um sentimento de revanchismo débil. Somos estúpidos até mesmo para entender nossos próprios sentimentos. Sim, é fato: extremistas islâmicos mataram acreditando defender a honra de sua religião. Esse é o fato! Matar é errado, óbvio - pelo menos deveríamos pensar assim. Mas essa máxima não se aplica a uma enormidade de acontecimentos de nossa história recente e antiga.
Aos olhos daqueles extremistas e de líderes de seu povo, suas raízes islâmicas foram pisoteadas com obscenidades tendo na liberdade de expressão seu álibi; sentiram-se de fato ofendidos! Coaduno com a dor dos familiares dos que morreram, mas coaduno também com a mágoa trazida das ofensas religiosas depravadas - obviamente não coaduno com o ato extremista.
Não há consenso nem mesmo em nosso país sobre limites (se há ou não, inclusive) para a liberdade de expressão, mas tomamos toda a liberdade junto aos clamores de ''jesuischarlie''. Como assim? A ofensiva desconstrução de ideais religiosos em traços de um desenho desdenhoso é lícita aos nossos olhos então? Os que se ofenderam estão ofendidos em vão, pelo que entendi? Queremos tornar leves as ofensivas charges dos cartunistas daquela revista francesa sem nem mesmo refletir? Triste é saber que isso faz parte do nosso desdém corriqueiro às causas ''não-cristãs'', digamos assim. A ''bola da vez'' agora é o anti-islamismo.
Aprendemos pela mídia a odiar os islâmicos. ''Não há nada disso'', dirão afoitos alguns hipócritas. ''Eles são terroristas'', irão contemporizar outros não menos hipócritas. Afinal, o que vale é que estamos construindo uma guerra contra esses ''não cristãos''. Correto? Dirão por aí: ''eles são infiéis!'' - ops, isso não, pois é termo de gente islâmica.
Aos olhos daqueles extremistas e de líderes de seu povo, suas raízes islâmicas foram pisoteadas com obscenidades tendo na liberdade de expressão seu álibi; sentiram-se de fato ofendidos! Coaduno com a dor dos familiares dos que morreram, mas coaduno também com a mágoa trazida das ofensas religiosas depravadas - obviamente não coaduno com o ato extremista.
Não há consenso nem mesmo em nosso país sobre limites (se há ou não, inclusive) para a liberdade de expressão, mas tomamos toda a liberdade junto aos clamores de ''jesuischarlie''. Como assim? A ofensiva desconstrução de ideais religiosos em traços de um desenho desdenhoso é lícita aos nossos olhos então? Os que se ofenderam estão ofendidos em vão, pelo que entendi? Queremos tornar leves as ofensivas charges dos cartunistas daquela revista francesa sem nem mesmo refletir? Triste é saber que isso faz parte do nosso desdém corriqueiro às causas ''não-cristãs'', digamos assim. A ''bola da vez'' agora é o anti-islamismo.
Aprendemos pela mídia a odiar os islâmicos. ''Não há nada disso'', dirão afoitos alguns hipócritas. ''Eles são terroristas'', irão contemporizar outros não menos hipócritas. Afinal, o que vale é que estamos construindo uma guerra contra esses ''não cristãos''. Correto? Dirão por aí: ''eles são infiéis!'' - ops, isso não, pois é termo de gente islâmica.
A mesma França que sofre ataques assim hoje, há pouco mais de 20 anos auxiliou um dos maiores massacres da história. Ocorrido na África, o conflito no país Ruanda. Alguém ouve falar? Claro que não! Inclusive, nem mesmo na época se falava - afinal, todo o mundo estava em polvorosa com a Copa do Mundo de 1994... Quem iria parar e retirar os olhos da TV, úmidos de emoção pela bola rolando, para chorar pela morte de mais de 800 mil pessoas naquela localidade? Essa mesma França participou com auxílio militar aos hutus na sua caça animalesca aos tutsis. Alguém lembra-se disso? Alguém viu? Não! Não querem que vejamos. Pior que isso: não queremos ver. Facões eram usados para matar, decapitar, decepar membros de tutsis - mulheres, crianças, idosos...
Não queremos ver? Melhor foi então ficar em casa para ver e rever a Copa do Mundo com seus desdobramentos na época. Melhor hoje também seria ficar em casa assistindo os clamores atuais de ''jesuischarlie'' e acompanhar discursos verborrágicos sem sentido algum nessa temática pelas redes sociais. Porém, triste saber que nessa mesma época inúmeros na Nigéria são mortos por psicopatas chamados de ''extremistas''. Quem defenderá agora os civis nigerianos? Não sei. Tenho pena em saber que ninguém fará nada. Mas sei que países ajudarão direto ou indiretamente os extremistas locais. Claro. Eles , assassinos, querem armas! Outros, doentes por dinheiro, querem mais poder.
Não queremos ver? Melhor foi então ficar em casa para ver e rever a Copa do Mundo com seus desdobramentos na época. Melhor hoje também seria ficar em casa assistindo os clamores atuais de ''jesuischarlie'' e acompanhar discursos verborrágicos sem sentido algum nessa temática pelas redes sociais. Porém, triste saber que nessa mesma época inúmeros na Nigéria são mortos por psicopatas chamados de ''extremistas''. Quem defenderá agora os civis nigerianos? Não sei. Tenho pena em saber que ninguém fará nada. Mas sei que países ajudarão direto ou indiretamente os extremistas locais. Claro. Eles , assassinos, querem armas! Outros, doentes por dinheiro, querem mais poder.
Triste pensar que a realidade humana é tão vil, tão cruel com os que nos são diferentes. Abominamos os ''não-iguais'', seria talvez politicamente correto falar assim. Adoramos a hipocrisia do politicamente correto hoje! Seria bom se adorássemos servir de fato a algo superior, quer seja cristianismo ou qualquer uma das filosofias religiosas que há. Mas não! Melhor aos olhos de todos mesmo é não pensar! Dói o peito quando vemos o que somos. Dói a alma.
Quem quer ter dolorida a alma? Nada de dores! Nada se compra para curar essa dor, logo: a solução é que não doa! Se algo doer, que sejam as lamúrias de povos que desconhecemos e não temos interesse de conhecer. Penso eu: se houvesse ''torres Eiffel'' ou outras belas construções/opções turísticas europeias em Uganda na época, olharíamos melhor para aquele local? Sim, é um raciocínio imbecil, mas alguns entenderão. É uma questão religiosa tudo aquilo e tudo isso hoje? Questão de mercado? Questão desumana puramente, simplesmente? Não sei... Infelizmente não sei! Doem em mim muitas dores do mundo...
Quem quer ter dolorida a alma? Nada de dores! Nada se compra para curar essa dor, logo: a solução é que não doa! Se algo doer, que sejam as lamúrias de povos que desconhecemos e não temos interesse de conhecer. Penso eu: se houvesse ''torres Eiffel'' ou outras belas construções/opções turísticas europeias em Uganda na época, olharíamos melhor para aquele local? Sim, é um raciocínio imbecil, mas alguns entenderão. É uma questão religiosa tudo aquilo e tudo isso hoje? Questão de mercado? Questão desumana puramente, simplesmente? Não sei... Infelizmente não sei! Doem em mim muitas dores do mundo...
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier
(Traços do massacre em Ruanda numa escola infantil. Parte de uma época que ninguém viu...)
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de janeiro de 2015; texto disponibilizado inicialmente em outro blog.

