quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Em homenagem a Eduardo Galeano

Antes de mais nada, assistam no link um excelente e imprescindível vídeo: https://youtu.be/VZfDWfUhq14

Eduardo Galeano nos deixou esse ano. Foi para um lugar melhor, pois era o que ele merecia. Deixo aqui uma tentativa de homenageá-lo.
________________________________________________________________________________

Como é gostoso desfrutar de mentes que pensam, saindo da mesmice de ver gente na TV que fica "vomitando" opiniões tendenciosas e cegas como temos - em imensa maioria, não no todo, óbvio. É bom ver, como E.Galeano mesmo disse nessa pequena entrevista, em resumo: mente que está unida às tripas. Ou seja: não adianta só pensar, ou só sentir. Precisamos mais de gente que pensa e sente. Gente que usa cabeça, coração e tripas para produzir opinião. Superar essa realidade nossa inóspita de gente que dá, em noticiários, palcos ou redes sociais, opiniões feitas meramente com as tripas. Ele, Galeano, não se auto-define nem gosta de ser definido como intelectual, pois para ele, um intelectual é uma mente pensante que rola sem sentido pelo mundo - mais ou menos isso. Disso, temos muitos e em nada nos acrescentam.

Ainda sobre o vídeo com a pequena entrevista, ele nos traz o conceito de "políticos redondos". E esse conceito se aplica muito, muito bem aos nossos debates e cenário! Em boa parte, pelo que temos visto, o ser humano comum e notório em nossa mídia (e também no cenário político nosso) não é meramente raso em suas concepções, sendo daqueles que pouco se aprofunda nas coisas, mas sempre opina em tudo. Ele consegue piorar! Ele consegue ser "redondo" conforme trouxe Galeano. E o eleitor, o telespectador acaba por ficar assim. Afinal, por qual motivo não? Os famosos, os "exemplares" são assim... E o que, enfim, quer dizer "redondo" nesse sentido? Quer dizer ser daqueles que ora dizem uma coisa, ora dizem outra a depender do interesse que lhes apossa. Isso cansa de tão comum, e tais pessoas estão espalhadas em todas as esferas da sociedade, entrando em nossas casas quer seja pelas redes sociais, pela porta ou pela TV. Fiquemos atentos já que, a princípio, todos querem mesmo um país melhor!

Desde o cidadão comum ao político de maior escalão acabam sendo atingidos por esse perfil. São redondos. Giram e giram e giram, sempre procurando um momento onde a opinião, ora essa, ora aquela, contraditórias que sejam entre si, lhes favoreça de acordo com seus interesses obscurecidos. Que deixemos de ser redondos. Que passemos a procurar um país melhor para os próximos 50 anos! Que paremos de ficar com esse "mimimi", como dizem hoje, sobre quem venceu, quem ganhou a eleição como se um ou outro fosse fazer uma total diferença... Precisamos parar com essa chatice de criar inimizades quando o que o amigo, colega ou familiar é diferente do que pensamos ou diferente, por conseguinte, do que querem que pensemos. Parar com essas formas manifestas de intolerância e seguir!

Fato é que não há em nosso cenário políticos que sirvam de norte, de exemplos, que sejam líderes de uma nação progressista! Líderes que de fato venham a trazer melhorias não dão "ibope" e o progresso a quem interessa? Ao povo? Que se lasque o progresso então, afinal somos movidos para dar lucros às corporações e não para contribuir rumo a um futuro melhor.

Não foi a eleição recente, nem será um impeachment que solucionará nosso país! O que vai solucionar nossos problemas é conseguirmos criar um conceito de nação; criar uma necessidade intrínseca de estudar mais, aprofundar mais acerca das cosias e não mais, nunca mais, apenas aceitar os ditames arraigados em nossas mentes e comportamentos, pela mídia e, logo, em nossa sociedade. Nosso cenário tem sido nada mais que retrato premeditado, trazidos e fomentado, pelas grandes corporações que notoriamente são as que mais lucram em cima das crises e desgraças que criam.

Trazendo uma contribuição de Saramago, lembro quando ele disse que "a alternativa ao neoliberalismo se chama consciência". E, trazendo isso aos nossos dias: essa é a única alternativa para agora e para sempre.
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier