Olhando o futebol, vemos um retrato do nosso entorno. Interpretações obtusas em relação ao assunto são comuns. Os juízes são protagonistas dos sonhos de conquistas de tantos. Não? Erros de arbitragem na imensa maioria das vezes favorecendo os mesmos prováveis de sempre. O que estaria por trás disso? Fingimos desconhecer...
Sou atleticano. Sou torcedor do Galo, o Clube Atlético Mineiro (C.A.M.). Sei de históricos do passado que são de arrepiar a ética futebolista (caso haja) e a bem dizer a ética cidadã. Sei, em detalhes, das disputas de 1980 e 1981. Ambas decididas diante de um chamado "grande" do nosso futebol. Um poderoso, digamos assim. Poderoso na mídia e na boca do povo (por conseguinte). Sim, todo atleticano, mesmo os que nem eram nascidos, se revoltam a partir do que leram (e até viram, afinal há a internet hoje) sobre o fato.
Quanto aos erros cotidianos do futebol, esporte que nos motiva diversão, deveria haver revolta em todos os torcedores, afinal, erros e corrupções deveriam causar sim espanto e até revolta. Mas não somos um povo assim. Deixamos livres aqueles que, mesmo errando, não nos tenham prejudicado diretamente ou, mais ainda, deixamos livres e impunes aqueles que nos favoreçam ou nos tenham favorecido.
Quanto aos erros cotidianos do futebol, esporte que nos motiva diversão, deveria haver revolta em todos os torcedores, afinal, erros e corrupções deveriam causar sim espanto e até revolta. Mas não somos um povo assim. Deixamos livres aqueles que, mesmo errando, não nos tenham prejudicado diretamente ou, mais ainda, deixamos livres e impunes aqueles que nos favoreçam ou nos tenham favorecido.
Ainda daqueles episódios citados, em 1980 e 1981, sobre meu C.A.M., há impunidade até hoje e aparente desdém completo contra erros do passado... Isso ocorre em tudo, no futebol também! Com meu Galo não seria diferente. Sem mencionar o fato de que nosso maior ídolo era um atleta que erguia o punho em gesto comunista em pleno regime ditatorial militar. Coitado! E outros times então, ainda menos influentes que meu clube? O quanto já sofreram, sofrem e sofrerão também. Sofrerão muito ainda, tenho certeza, afinal, nada é diferente e nem será.
Nada muda nem mudará, afinal não lutamos por isso sem uma dose importante de hipocrisia que nos é peculiar. O poder das influências paralelas à realidade que desconhecemos no todo é real, mas fingimos desconhecer. À nossa realidade, aplica-se uma lógica que pode ser resumida na seguinte frase: que permaneça o que me favoreça - desde 1500 é assim, acredito! Quanto ao futebol, a maior parte do povo torce pelos chamados grandes clubes do país. Também consomem produtos das maiores marcas no país. Votam nos maiores partidos do país... Tudo num enorme apreço ao privilégio do mercado do poder. Assim, são maioria os que fomentam e/ou se favorecem em meio a essa realidade atroz. Não há esperanças, decerto. Pois precisaríamos estar atentos aos poderes externos e sonhos de privilégios pessoalmente almejados por nós. O poder, é fato: corrompe - de qualquer forma que ele exista.
Como exemplo, ainda falando de futebol, seus jogadores ganham milhares de reais, milhões por vezes. Batemos palmas, claro. Alguns se matam por isso! São nossos ídolos, não? Mas nada fazemos pelos professores ganhando micharias, ou os profissionais da saúde acuados nas estações de atendimento diante do povo incomodado com o caos. Ignoramos o fato dos policiais nas ruas mal pagos e mal preparados, mal protegidos expostos ao mundo do crime, protegendo alguém conforme o comando os mande proteger. A violência nas ruas por parte do povo e daqueles que são os responsáveis por conter a violência é realidade banalizada praticamente. Que fim estamos plantando para nosso país? Estamos adubando o solo com esgoto, acredito...
Trabalho pela saúde. Vejo a enormidade de vezes em que colegas dessa área (enfermeiras e técnicas de enfermagem em especial) são acuadas e até agredidas (fisicamente, verbalmente...) por cidadãos comuns, na figura de usuários do sistema, insatisfeitos. E quem se revolta com isso? Quem? Quem vai atrás do vereador, prefeito, deputado etc que prometeu ajudar e nada fez, mas, apesar disso, votou favorável ao aumento do próprio salário e/ou benefícios da "carreira"? Ninguém vai... Oprimimos e desdenhamos os mais fracos, a parte debaixo da pirâmide que sustenta o capital.
Vi em 16 de agosto as ruas de Curitiba repletas de pessoas clamando por um governo idôneo, pela retirada desse e daquele político em específico. Não vi ninguém além de professores espancados nas ruas defendendo sua categoria. O povo não clama por melhorias na educação? Mas os professores estão sozinhos e apanharão sozinhos sempre nas suas revindicações. Mas somos o país do futuro. Palhaços de um circo que fingimos não ser parte nem tomar parte. Afinal, é melhor apenas reclamar, reclamar as pessoas paras as ruas e clamar por coisas belas, altruístas, elevadas. Afinal: que permaneça o que nos favoreça. Professores? Lutem por si mesmos. Educação não importa. O importante é dinheiro no bolso. Dinheiro na mão é vendaval, já disseram. Quando ele falta, o vendaval toma as ruas em pura revolta...
Nossos discurso não precisa condizer com nossos atos. Representantes de Jesus hoje são dissonantes aos seus discursos e utilizam da fé alheia em seus discursos para lucrar com isso, imagine então o resto do povo? Somos palhaços de um circo alheio cujo dono é representado por uma enormidade de corporações que vem e vão, aumentam e diminuem seus poderes, mas sempre mandam, pondo e depondo governos. Apenas nunca é deposta nossa hipocrisia e ignorância do todo. Que pena...
Enquanto isso, caso perambulasse por nosso tempo, Diógenes seguiria nas ruas procurando homens puros, honestos, de real valor moral. Vai continuar procurando, amigo Diógenes... Segue em tem barril ou tonel, qual seja, Diógenes, de Sínope. A escuridão lá dentro é menos dolorosa que a escuridão aqui fora.
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier
de agosto de 2015. Posto anteriormente em outro blog.
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