A esperança foi encontrada morta na tarde de ontem. Caída ao chão, pisada por solas de sapatos altos ou outros de couro legítimo, mataram-na quase que soterrada. Bradavam por um futuro melhor os assassinos, entretanto, mataram-na como déspotas.
Tomaram-na nas mãos, jogaram-na no chão e pisaram forte. Bateram os pés por sobre ela. Caíam, feito vômito, os gritos rua abaixo em motes de intolerância e ódio. Bradavam em qual sentido? Qual era o norte? Quem era forte ali naquela multidão bestificada em processo amplo de imbecilização?
Não sei o que pensar. Apenas sei que levaram a esperança à morte. Nascerá em outro lugar, se tivermos sorte. Mas desconfio que haverá de demorar bastante...
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier
