O capitalismo é um regime de criação de necessidades, antes de mais nada. Entendem? Explico mais, para que fique menos obscuro. O regime capitalista pauta-se na criação da necessidade de consumir, adquirindo e mantendo coisas, coisas e mais coisas. Criam-se itens, subitens, todos vendidos através da mão direita do capitalismo que é a publicidade, a propaganda. Propaganda que é peça-chave nos regimes fascistas, sendo que, nesse caso, o fascismo do capitalismo tem por líder o dinheiro, o capital. Eu estaria cometendo uma atrocidade ao dizer isso? Sim, para mim: capitalismo (nos moldes que temos) é uma espécie de fascismo! Afinal, esse regime é ditatorial: ou você adere ao sistema de consumo ininterrupto ou será visto à margem da sociedade. É também voltado ao líder máximo: o capital, sendo que todos almejam a presença e a "admiração" do líder. Sigamos então para além desse paralelo nos próximos parágrafos.
Vendido o produto, ou seja, convencendo as pessoas de que aquilo mostrado pela mão direita, a propaganda, é necessário e talvez incomparável, vem o empreendedor, a mão esquerda, e o consumidor, passarinho bobo, fica preso entre as mãos! Tomam para dentro de si, em mãos fechadas, o consumidor como o "passarinho" prestes a ser amassado. O passarinho sente-se confortável e temeroso ao mesmo tempo... Sim, afinal: somos pássaros prestes a ser amassados! Entre essas mãos, criamos a demanda incontrolável de, a cada segundo, precisarmos de mais e mais coisas numa eterna incapacidade de nos saciarmos. Eis nisso, retratado, o incansável apetite para o mercado que temos arraigado (imposto que é) em nós! E justamente esse mercado é o que nutre todo o poder do capitalismo, trazendo o lucro necessário à publicidade e ao empreendedor. Nutre a força nas duas mãos que nos prendem! Fecha-se então um ciclo sem fim no qual, sem a tomada de consciência, estaremos eternamente presos, amedrontados e sem capacidade de "voar".
Vendido o produto, ou seja, convencendo as pessoas de que aquilo mostrado pela mão direita, a propaganda, é necessário e talvez incomparável, vem o empreendedor, a mão esquerda, e o consumidor, passarinho bobo, fica preso entre as mãos! Tomam para dentro de si, em mãos fechadas, o consumidor como o "passarinho" prestes a ser amassado. O passarinho sente-se confortável e temeroso ao mesmo tempo... Sim, afinal: somos pássaros prestes a ser amassados! Entre essas mãos, criamos a demanda incontrolável de, a cada segundo, precisarmos de mais e mais coisas numa eterna incapacidade de nos saciarmos. Eis nisso, retratado, o incansável apetite para o mercado que temos arraigado (imposto que é) em nós! E justamente esse mercado é o que nutre todo o poder do capitalismo, trazendo o lucro necessário à publicidade e ao empreendedor. Nutre a força nas duas mãos que nos prendem! Fecha-se então um ciclo sem fim no qual, sem a tomada de consciência, estaremos eternamente presos, amedrontados e sem capacidade de "voar".
O capitalismo é um cárcere? Para mim, isso é notório! E, a ele, somos o tal passarinho dotado de asas que se deixou convencer de que sua liberdade inerente não mais é primordial. Entrega-se ao conforto amedrontado das mãos fortes que por ora aquecem. Será que um dia irão nos esmagar? Fica sempre um passarinho mais atento pensando e conclui, cedo ou tarde, que: " sim, isso é inevitável!". Mas os demais passarinhos vivem para comprar, quer sejam terras, casas, apartamentos - gaiolas, a bem dizer. Comprar carros, motos e mais outros veículos, pois esqueceram-se de suas capacidades de "voar". Prendem-se mais e mais nos seus pés (ou patas) a cada dia mais fixos no chão e abraçam-se cada vez mais nas mãos que lhes prendem, nas paredes que lhe cercam, tomados pela consciência imposta, convencidos, de que aquilo é o correto para ter; é o necessário, o confortável. E, em tendo tanto, o homem não percebe que perdeu a si próprio.Criando um mundo pautado em posses e competição, a cada dia mais nutrimos as paredes do cárcere que nos espreme. Deixamos crescer as desigualdades e as disparidades. Não mais nos enxergando enquanto espécie que precisa do outro, que precisa do mundo para sobreviver. Esquecemos da necessidade máxima e eterna que é a de coexistir! Passamos a reclamar dos demais passarinhos presos nas mãos juntos de nós. Passamos a odiar outros passarinhos! Passamos a desejar a morte daqueles que estejam em mãos melhores, pois queremos o lugar deles; ou desejamos a morte dos que estejam em mãos mais frágeis, pois nos achamos melhores e mais bem sucedidos que eles. Não aceitamos a premissa de que há espaço para todos os passarinhos serem livres! Mais ainda: não entendemos que haveria muito mais espaço se soubéssemos viver e conviver harmonicamente para fora dessas mãos que nos cercam e esmagam. O cenário seria muito melhor fora das mãos, livres...
Caso um dia percebamo-nos presos, sonhando com novos rumos: que esse cenário seja de liberdade oportuna a todos, sendo rompidas as amarras das desigualdades e distinções, das atrocidades perpetuadas por aquelas mãos num enorme cabedal de privilégios seculares. Privilégios esses fomentados e que fomentam esse mundo hostil. Não apenas hostil, mas hostil e hipócrita fato de ser pautado na defesa da proliferação desenfreada do capital de uns, tendo-se isso mediante a exploração do poder de discernimento e da força de trabalho de todos os demais - nós, ou seja, a imensa maioria somos parte e seremos sempre desse grupo dos "demais". Somos mesmo passarinhos assustados esmagados entre mãos enormes.
Nesses mecanismos de criação de consumo, de criação e perpetuação de mercados, criamos a cada dia mais um mundo de transfigurado em especulações; um mundo que visa meramente a posse das coisas a todo custo e que toma para as mãos de uns, cada vez mais (mesmo que sejam a ínfima minoria) o poder de decidir e comandar todo o rumo dos demais - aqueles que podemos resumir como: consumidores! E dessa escala desigual de poder, criam guerras nas quais quem morre é o cidadão comum trajado de soldado, ou policial, ou menino do tráfego (ou "aviãozinho") - que é também um mercado o narcotráfico! Criam padrões de necessidades de comprar e comprar, mas quem se mata é o cidadão, o trabalhador, sonhando ser dono de algo mais para ostentar como seu. Criam inverdades que alimentam especulações, uma após outra, que transfiguram-se em medos que geram caos nos mercados e, regidos pelos medos econômicos ou de qualquer espécie, os cidadãos, presas fáceis tal qual os passarinhos anteriormente citados: entregam-se novamente e sucumbem às forças dos que já detém o poder e, mais que isso: aumentam esse poder, sendo vítimas e cúmplices! Ademais, nada mais lucrativo que as crises aos que já dominam o poder, qualquer que seja ele (econômico, político, militar etc). Bancos? Multinacionais? Castas outras de privilegiados compraram de nós o direito à consciência e ao discernimento. Já é passada a hora: precisamos recuperá-lo!
Saramago nos alertou algo como o seguinte: para que pudéssemos vencer esse momento do excesso de consumo, seria necessário que todos nós adquiríssemos consciência. Como assim, "consciência"? Consciência de nós mesmos, de nossa necessidade de defender os demais, enquanto espécie, de defender o entorno enquanto frágeis que somos na natureza, no universo. Consciência contra tudo e todos nesse sistema que nos cria para um mundo dominado por aqueles que desde sempre foram e serão (caso não acordemos!) ricos. dominando e fazendo vítimas de sua exploração aqueles que são seus cúmplices na criação desse mundo que explora e se nutre disso de maneira desenfreada e inconsequente.
Precisamos urgentemente elevar nossos debates, aprofundar nossas opiniões e nossas visões acerca das coisas e circunstâncias que nos rodeiam. Que consigamos inicialmente pelo menos deixar de ser cúmplices. Não feito isso, nosso futuro será apenas o infindável fado de vermos a nós todos vítimas como passarinhos prestes a serem esmagados em mãos que a cada dia são maiores, mais fortes e menos se importam conosco, pois querem apenas nutrir a si mesmas, nunca acarinhar ou, de fato, alimentar o corpo ou a felicidade de seus pássaros.
Precisamos urgentemente elevar nossos debates, aprofundar nossas opiniões e nossas visões acerca das coisas e circunstâncias que nos rodeiam. Que consigamos inicialmente pelo menos deixar de ser cúmplices. Não feito isso, nosso futuro será apenas o infindável fado de vermos a nós todos vítimas como passarinhos prestes a serem esmagados em mãos que a cada dia são maiores, mais fortes e menos se importam conosco, pois querem apenas nutrir a si mesmas, nunca acarinhar ou, de fato, alimentar o corpo ou a felicidade de seus pássaros.
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier
