quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Sobre nós, a felicidade, nossas potências de agir e uma possível goiaba

Felicidade é quando você sente que encontrou seu lugar no mundo. O mundo (o universo todo, a bem dizer!), é algo complexo. Não há, de fato, um lugar que seja nosso. Mas a sensação dele é o que vale! Tê-lo diante de si, aquele lugar onde você sente-se confortável, em harmonia, produtivo, livre. Isso é estar e ser feliz! Felicidade é não querer que a vida acabe! Felicidade é também momentânea em sua avaliação. É não querer que um momento específico acabe. Logo, aquele momento não acabando é manter-se vivo naquele momento. Logo, de fato: felicidade é não querer que a vida acabe.


Quantos são os momentos de felicidade que temos? Há felicidade, no plural – felicidades? Cada um deve, por si mesmo, encontrar respostas. Conhece-te a ti mesmo... Isso é antigo, aristotélico... Quase um mantra religioso também! Precisamos conversar conosco mesmos e definir: “que raios eu estou fazendo aqui?”, “em que eu posso estar feliz?”, “aonde eu posso estar feliz?”.  São perguntas essenciais, mas não nos ensinam sobre elas na escola. Apenas a vida, desde que atentos, nos ensinará.

Ensinam-nos sobre felicidade em cartilhas equivocadas. Na verdade, ensinam-nos felicidades através de talões de cheques, em coleções de cartões de crédito, em catálogos de revistas comerciais, publicitárias... Não? Felicidade não vem no crédito! Não vem com o tempo. Ela existe ou não. É plantada, decerto! Mas ela deve existir desde o hoje! Não se pode esperar pegar uma goiaba amanhã se não trabalharmos a terra, colocarmos sementes e cotidianamente permitirmos que aquela goiabeira dê frutos. A goiabeira, entenda: somos nós!

Sim, somos uma goiabeira. O sonho é termos a nossa goiaba que chamaremos de felicidade. Em tendo a goiaba pronta - ah...! - estaremos felizes, realizados e não iremos querer que se acabe nossa vida! Para isso, temos de plantar no chão nossa semente enquanto goiaba futura, goiabeira no presente, entende? O que vou querer da vida se não me aperfeiçoo, nem nutro meu solo – entenda-se mente, coração e consistência ética do existir? É preciso querer mais de si. Exigir o máximo de si. Entenda: não digo exigir para dar números e produto ao outro, mas a si mesmo! Logo, muitos profissionais produtivos no trabalho em nada plantam sua felicidade. Entende a diferença que digo?

Felicidade é plantada em solo próprio, pessoal, intransferível. Não adianta querer plantar sementes aos vizinhos se você nem árvore e nem fruto têm para oferecer suas sementes. É balela! É preciso entender que não é dando coisas aos outros, ou comprando coisas a eles e a nós que faremo-nos felizes. Não! Decerto, não! É encontrando nossas formas pessoais de plantar, arar nosso solo, afofar nossa terra, acolher nossa semente do ser que somos e desenvolvermo-nos enquanto árvores potenciais doadoras de frutos ao mundo que seremos felizes. Felicidade é compartilhada. Ser feliz é algo individual!

Precisamos nos preparar. Pensar mais sobre nós mesmos. Conhecer mais do que somos e temos por nossa personalidade. Entender quais são nossas reais motivações e o que, de fato, são as coisas que se consagram para nós em potências de agir. O que nos motiva? O que nos impulsiona? Em outras palavras: a que direciona-se nossa libido nesse mundo? Nem de longe digo da libido em termos sexuais. Não! Digo em referência a Freud e seus ensinamentos sobre o que nos motiva a ser mais e querer viver mais, por mais tempo. No mais, digo: não conte as horas que passam durante o tempo que estiver usando para se conhecer e plantar sua goiabeira...

Talvez, tarde demais, entenderemos que somos apenas um pedaço diminuto de terra seca. Não aguamos nosso solo. Não preparamos semente alguma para germinar. Não aramos nem uma vez aquele cantinho de terra que somos, tentando melhorar nossas condições de parir a árvore de nossa vida, elevar à luz nossa essência. Nesse dia, tarde demais, como disse, olharemos e veremos que compramos muitas coisas tentando encontrar a felicidade; veremos que agradamos e/ou tentamos agradar pessoas demais tentando ter delas (ou nelas) a felicidade; escolhemos rumos sobre rumos novos na vida profissional sempre tentando o destaque necessário que nos prometiam trazer a felicidade...

Tarde demais, concluindo, sozinhos – como é o fado do ser humano: ser só! – entenderemos que felicidade não é coisa que se compra (no débito ou no crédito!), ou se pega, ou se conquista – buscando-a em outro lugar! Felicidade é coisa que germina - e deixa-se germinar! Trabalha-se nela, pois requer cuidados. Felicidade somos nós! E, para ser tal como queremos: é preciso exercer, trazer para si o velho, bem velho, ensinamento que raros alcançam na prática: “conhece-te a ti mesmo!”. Somente conhecedores de nós mesmos, um dia, com sorte, conheceremos a felicidade.
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier