Essa é uma tentativa de crônica que aborde assuntos que passam por nossos dias gerando ódios, tantos! Assunto polêmico: as cartilhas (liberadas ou pretendidas hoje ou um dia) do governo que abordam assuntos como sexualidade e diversidade. Ora ou outra, vemos parlamentares e cidadãos odiando e verbalizando suas intolerâncias sem nem saber direito sobre elas e, mais ainda, sobre o que há para se pensar sobre o assunto. Vamos ao texto!
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Vivemos um mundo de intolerâncias socialmente aceitas. Isso sempre foi um fato! Ainda hoje há! Em nosso caso e no caso do debate de ódios levantado por pessoas como parlamentares nacionais de ultra-direita: vemos pessoas (seguidores) ficando indignados contra toda e qualquer mentira que um parlamentar mal intencionado ( mais ainda nessa onda ultra-radical ) qual seja venha a dizer. Acreditam, sem refletir! Apoiam tudo, sem pensar! Compartilham! Não procuram saber.
Hoje, passam as redes sociais por uma quase "universidade"de formação de imbecis. Pessoas essas educadas a acreditar em qualquer imagem e/ou meme que induza às conclusões fáceis, rasas, mentirosas e odiosas que sempre tivemos pela mídia, Hoje, elas chegam de forma mais rápida através das redes sociais às nossas casas. Porém, todos se sentem sabidos, conhecedores das coisas coletivas a partir dessa trivial atitude de abrir suas páginas de redes sociais e engolir os vômitos intelectuais alheios.
Porém, essas mesmas pessoas indignadas, defensoras dos bons costumes, da intelectualidade pujante neles, não raro (para não dizer quase todas), deixam seus filhos sem lar! Sim, sem lar uma vez que tantas de nossas gerações recentes são deixadas sem paternidade e maternidade, de fato (digo aqui da presença afetiva, da atenção, do ensino no lar etc). Daí, temos crianças que são "educadas": 1) na escola: para fazer um vestibular, mas não preparam para a vida e 2) no lar: para os comportamentos socialmente aceitos adquiridos com grande destaque para televisão e internet. Pronto! Como pensar sobre isso?
1) A educação da escola serve para aprender conceitos que serão concentrados para uso no vestibular. Fato! Para entrar na vida do ensino superior. Porém isso é para muito poucos! De tal forma que a escola em nada (e nunca!) substituirá os ensinos essenciais ao convívio humano que um lar estruturado daria (lar, diga-se de passagem: com pai e mãe, pai e pai, mãe e mãe - ou seja: qualquer que fosse, mas sendo antro de amor e cuidados à criança pelos que assumem sua paternidade!).
2) a educação pelas redes de TV e internet? A imensa liberdade que a internet dá, sendo usada sem apoio e embasamento intelectual devido, faz com que essas crianças, em sua imaturidade, fiquem expostas a uma enormidade de imbecilidades e conceitos de "socialmente aceitos" e de "importância" nas coisas um tanto quanto toscas. Não raro, crianças hoje veem sexo, exposição de corpos nus, apreço às imagens de magreza extrema e sonhos de serem "famosas". Em momento algum recebem orientações sexuais, sobre uso adequado de camisinhas, sobre uso adequado (quando atingem idade para tal) do uso de pílulas anticoncepcionais e demais métodos. Vão aprendendo, embora não entendam isso, às conversas malfadas com amigos, amigas, em grupos de igual idade e iguais dúvidas à eles/elas. Falta instrução, apoio e cautela no debate desses temas. E a TV? Ensina apreço a corpos esbeltos, numa insinuação ao sexo e à sexualidade diuturna, em qualquer horário, em qualquer programa (praticamente!). Mas isso não gera alarde, preocupação ou passa como "cartilha" de formação equivocada....
Formando pessoas nessa janela de alienação e incentivo à essa imbecilidade em tantos aspectos por parte da mídia como um todo: como se comportarão nossos jovens? O que fazem os indignados com cartilhas diante da "imbecilização" socialmente aceita que as redes de TV e mídia no geral implantam? Nada? Para a atuação das redes de mídia no geral, pai ou mãe nenhuma, defensor nenhum da moral ou parlamentar nenhum (e seu séquito) se rebela e acha afrontado! Por exemplo, comerciais de cerveja que sempre denigrem a imagem feminina como produto sexual passa como normal e pai, mãe, parlamentar nenhum com seus seguidores verbaliza espanto. Estranho? Acho que não. Vejo como esperado em se pensando no modelo de debate que os odiadores de sempre defendem.
Daí, disso tudo, não raro, por erros e descuidos e alienação quanto aos assuntos de sexualidade, os adolescentes chegam à idade de inserção no mundo sexual como jovens completamente ignorantes dos cuidados para si e para os parceiros. Isso é socialmente aceito? Entendo que sim! Pois quem consegue citar exemplos de pessoas em seu entorno que tiveram boa orientação sobre esses assuntos, superando tabus e dogmas? Alguém, de alguma forma, algum dia, em algum cartilha ou qualquer outra forma terá de fazer algo para que nossos jovens entendam conceitos sobre sexualidade, diversidade etc. Quem o fará? Como será? Quando?
No fim, eu não entendo de onde surgem esses baluartes da defesa da ética, da integridade moral e do "bem" como esse parlamentar e seus seguidores nessa seita de ultra-direita - nem dos demais que ora ou outra tomam voz na mídia para falar suas idiotices que ressoam. Acho apenas que o conceito senhor de engenho e senzala ainda repercute demais nos nossos dias, mas nem vou me atentar a dizer algo. E acho também que sempre temos os adeptos do messianismo (político, religioso etc) que faz ora ou outra pessoas entregarem-se a um ídolo novo que será o "redentor" de seus sonhos (e ódios!) e da pátria. Tudo isso precisa ser superado. Vamos esperar.