terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Recomeçar? Sempre! Mas como?

Acompanhando assuntos de política há alguns anos (com maior atenção a partir de pontos cruciais do cenário inóspito que temos como: os escândalos mensaleiros dos grandes partidos nacionais, das investigações em curso pelo MPF/PF e das últimas eleições presidenciais, p.ex.) ficou uma questão na minha cabeça: onde é o fundo do poço? A lama que é nítida e geral não é vista por todos? Há mesmo pessoas que insistem ser verídica a premissa de que há gente ilibada e idônea nos altos escalões nacionais de política? Desconfio que todo o alto escalão está direta ou indiretamente envolvido nesse cenário triste de corrupção, má gestão e sonhos malfadados de progresso efetivo.

E o povo diante disso, segue se odiando nas ruas trazendo para os debates políticos o calor das discussões de futebol. Rivalidade imbecil, penso! E, em meio a isso: onde está o povo que esquece ter contribuído com votos a tudo quanto é tipo de corja que está ou um dia foi eleita? Aparentemente, nem todos são culpados... Ora..., como alguém consegue seguir essa premissa? Mas dispersam essa ideia aos ventos e há gente que a adquira para si. Eu, particularmente, não a aceito! Acho que todos  nós, povo, somos culpados sim! Afinal, desde o vereador mais esquecido, da menor cidade, ao presidente do país, para todos os nossos políticos há risco do cheiro de podridão - até que se prove o contrário. Não? Espero estar errado e sendo preconceituoso, talvez. Há gente honesta na política? Acho! Mas elas precisam provar e aparecer. Ainda não as reconheço. Pronto!

Ademais, ficamos nas mãos do cenário torpe de políticos ruins acobertados (mais ou menos) pelos meios de comunicação e por parte da justiça que deveriam estar do nosso lado. Revelando, apurando e condenando aqueles que se portem de modo ilegal diante das coisas públicas. Não? Mas a mídia que denuncia uns, condena outros, porém apura quase nada (sendo que apurar deveria ser a real função do jornalismo), é digna de levantar bandeiras de idoneidade ou é corrupta tanto quanto os que ela enquadra na criminalidade? E o cidadão que passa a vida sem preocupar-se com assuntos relevantes como política? Cidadão esse que, de um dia para o outro, resolve ser um cidadão vulgarmente indignado e verbaliza ódios e intolerâncias por todo nosso cenário, não é culpado? E a escola que não ensina ou debate práticas políticas, formando cidadãos sem esse conceito arraigado em sua mente? Ou o lar que esquece de ter esses assuntos nas conversas na formação dos seus filhos enquanto cidadãos desde pequenos, não traz uma chama da culpa que queima nosso progresso? Há erros por todos os lados. Sem falar que nosso povo habituou-se a pequenos tipos de corrupção que poderíamos resumir no conceito "jeitinho brasileiro". Afinal, o que é o político além de um brasileiro comum que chegou ao posto de gestor da ordem pública?

Vendo tudo, temos tanta podridão! O cenário é amplamente fétido, mas precisamos todos limpar nosso cotidiano para, assim, limparmos mesmo nossa história. É privatização de caráter duvidoso daqui; é propina de empreiteiros ali. É mensalão de uma cor e de outra; um que causa ódio nacional e outro que é quase desconhecido. Uns corrompendo, outros sendo corrompidos, mas quase todos na terra da conivência! É sonegação aos milhões, de tantos. Contas na Suíça; dinheiros na cueca; helicópteros de parlamentares traficando cocaína; jatinhos com voos pagos pelo povo para amigos e parentes, em viagens de passeio, para políticos nossos... De sonegação? Ah, nos falam pouco dela. Tantos sonegadores, quase todos eles desconhecidos, por sinal! Por algum motivo que não me interessa debater: "listas" de gente assim não "vaza" na mídia. Excesso de poder deles? Ademais, 'e delação premiada que condena uns automaticamente na m'idia, mas que, para outros, adquire ar de "isso não é verdade" ou "não foi assim"... A m'idia defende ou não uns enquanto automaticamente condena outros? Vejo que isso é fato! E, pasmem: fica por isso mesmo! 

Será mesmo que estamos querendo um país melhor? Ou simplesmente queremos mudar alguma coisa para ficarmos falsamente convencidos de algum protagonismo nacionalista? Qual atitude é essa a nossa? Fazer algo, qualquer coisa que seja mesmo que pseudo-consciente, pseudo-politizada? Mesmo que não dê em nada? Somos, politicamente, tão pífios assim? Conseguiremos superar a ideia tosca de política messiânica onde uns são tidos por deuses salvadores e intocáveis, ao passo que outros são demônios sem direito de defesa? Ou não? Estou vendo errado? Espero que sim! Mais ainda: passaremos a ter nas rodas de conversa discussões úteis e progressistas sobre qual país queremos e como chegaremos lá? Ou somente será mantida essa coisa rasa e torpe de brigar sobre quem deveria ou não estar no poder aqui e agora? Será que Saramago estava certo ou errado quando disse que temos uma democracia onde nos limitamos a: "retirar alguém que não gostamos para colocar alguém que talvez venhamos a gostar"? Basta de passos curtos. Basta de raciocínios para de quatro em quatro anos. Precisamos pensar um país para daqui a cinquenta anos, ou cem anos... Um projeto de país, não um projeto de governo ou projeto de voto direcionado pelo interesse pessoal (unicamente) de cada eleitor.

Finalmente vemos nossa justiça fazer algo, deixando de ser cega. Coisas que nunca nem imaginávamos! Nossos políticos ficando com medo? Até recentemente, todos eles passavam por quase intocáveis, mas vemos tantos hoje saindo de suas vidas falsamente ilibadas para virarem réus publicamente expostos. Se o povo irá voltar a votar neles num futuro? Aí fica à cargo da expectativa. Decerto, de tudo isso, a impressão que me fica é: vamos ficar sem governo! Em qualquer esfera, ficaremos definitivamente sem governantes se, de fato, investigarem tudo - e todos! Tomara que assim seja! Tomara que assim nossa justiça aja! Tomara que um dia nosso legislativo eleito saiba manter e aprimorar métodos legais de punir e coibir corrupção e atrocidades da gestão pública. Para isso, precisamos ser cidadãos mais atentos aos assuntos de política! Ser mais "politizados", como se diz. E precisamos ser mais espertos, também! Basta de ficarmos "caindo" nas falácias do marketing e publicidade comuns que ficam insistindo em vender gente corrupta como idônea e salvadora da pátria. Basta de messias por todo lado, a todo canto, de qualquer "cor partidária" que seja! 

A questão mais progressista para nosso cenário político seria, ao meu ver ação na seguinte forma: tudo quanto seja político que exista no nosso país hoje, que seja afastado até provar inocência! Provar com testemunha imaculada qual seja, bem como assinado o documento de ratificação de inocência por Deus! E com firma reconhecida! Sem isso, fica afastado todo político existente hoje no nosso país até a próxima encarnação pelo menos. De qualquer cargo! Assim, que comecemos do zero, voltando a uma espécie de "um novo ano de 1500"! Redescobrindo o Brasil que tanto pode dar certo, mas país esse onde sempre houve - e há - mãos demais atreladas ao crime (caso de uns) ou à conivência (caso da maioria) - consciente ou inconscientemente, direta ou indiretamente.

Pedro Igor Guimarães Santos Xavier