quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

O barco, o país, nós e as ondas do mar tempestuoso

O Brasil é meu país. E amo meu país! Admiro profundamente meu povo e o fato de termos chegado a esse ano de 2016 ainda vivos. Afinal, seguindo nossa história, sabendo que nossa imensa maioria sempre foi pobre e que o pobre do nosso país nunca foi tomado pelas mãos dos poderosos, fico feliz por nós! Tudo tinha para dar errado antes e termos sucumbido no tempo, mas estamos aqui ainda! Oba!

Mas, não sou cego! Vejo nosso país como um barco. Afundando? Talvez seja pessimismo demais. Não vejo esse nível de desamparo quanto às expectativas, mas, sim, precisamos agir! Nesse barco, temos um mar ao redor. O mar é o povo e suas ideologias. Pronto! Enxergam a metáfora? Ao lado direto, os chamados "de direita". Ao lado esquerdo, "os chamados de esquerda. Escondidos, sendo as águas por debaixo do barco, estão os de "centro". Quando digo "escondidos", não digo como ultraje a eles. De forma alguma. Apenas os coloco como centro e pronto, estando abaixo do barco que é a metáfora? Entendido? Sigamos!

Nosso barco sempre teve um imenso mar à direita. Sempre foi o mar que norteava as condutas e guinadas do capitão do barco. Desde a chegada dos portugueses aqui foi assim. Nunca houve iniciativas de olhar para outros lados ou seguir o destino de águas - ora à direita, ora à esquerda, ora sem guiar para lado algum. Maré... Maré... Não obedecíamos. Daí, chegamos a um cenário onde todo o mar da esquerda um dia foi olhado. Alguém tomou o barco, pegou o leme e disse: vamos olhar outras águas. As ondas à esquerda sentiram-se felizes. Um gozo completo de esperança. Algum tempo foi assim... Galgamos espaço naquelas águas, superamos ondas que poderiam ter sucateado o barco, mas não. Fomos firmes. Mas a tendência de nadar à direita retomou forças. 

Será por conforto? Por hábito? Talvez o brasileiro, na sua psiquê coletiva de povo, tem a ideia aristocrática tão arraigada que não consegue enxergar que marés de direita e de esquerda precisam ser ouvidas. Querem apenas manter o barco à direita, pois convenceram-se de que as ondas são melhores e formam melhores marinheiros. Quem sabe? Mas ambas as ondas formam marinheiros e precisamos saber entender de todo o mar para sermos bons navegadores. Entendem a ideia? Para o mar conseguir alcançar mares à frente, precisamos saber navegar em quaisquer águas, agradando e usando ondas de esquerda, de direita, para o bem comum - o barco? Será mesmo que ficaremos sempre a navegar em círculos? Uns querem navegar só à direita, eternamente. Outros têm externado interesses de aproveitar algum resquício de ondas de esquerda na navegação atual e ficar nadando em círculos à esquerda... Mas não. Não estamos mais indo à frente e nunca conseguimos de fato ir. 

Vez ou outra, em toda nossa história, mantivemo-nos guiados por sobre as ondas da direita e ora ou outra largávamos o leme e o barco assumia posição avessa. Alguns avanços, poucos, mas que vieram, foram somando-se. Desde que tentamos manter o barco por sobre ondas do mar à esquerda, algumas ondas à direita que nos fizeram também ir à frente de algum modo nos ajudaram. Talvez o fato de termos largado o leme por vezes e agradado algumas ondas da direita tenha sido o fato que nos manteve, de fato, já há alguns anos mais à esquerda. Mas isso está acabando. A bússola que norteia nosso barco está mesmo viciada e as ondas de direita estão novamente nos levando. Por sobre elas, vamos nós novamente navegar em círculos. Vamos mesmo?Deixaremos isso? 

Marujos? Ora, somos todos nós. Gostem de direita, de esquerda, ou de nada: estamos no barco e o mar é amplo. Somos milhões de marujos que dormem e comem no barco - uns no chão, comendo pão velho e outros em suítes comendo jantas fartas. Mas somos todos um corpo que se move chamado barco Brasil num mar imenso, repleto de ondas, de riscos, mas que tem todo um horizonte à frente. Iremos continuar em círculos? Navegaremos, remando, todos, seguindo ordens para um lado apenas? Não sei. Por ora, seguro me esforço controlando meu remo nas mão. As ondas têm sido fortes. Mais fortes que minha paciência e que minhas esperanças. Mas meu remo é minha arma e seguirei remando e sonhando com um país, digo, com um barco que conquiste mares e mares à frente.