sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Dedos para lá. Dedos para cá.

A corrupção de partido nenhum poderia ser abafada! A luta pela correção e ética deveria ser ampla. Todo e qualquer indício de corrupção, suspeitada apenas ou comprovada, deveria ser buscada à fundo. Tanto pela justiça como também pelos que se dizem jornalistas e, até mesmo, pela população!

Jornalismo no nosso país virou um acervo de programas televisivos de caça e denúncia sensacionalistas! Mas nada de apuração à fundo e ampla que serviria para coibir todo e qualquer expoente também corrupto que tente se utilizar do desprestígio do desprestigiado da vez. Isso só nos torna mais alienados sobre tudo quanto haja de podre. 

Estaremos sempre escravizados ao fado de sermos mantidos nas mãos de grupos eleitoreiros? Ou seja: grupos que apenas querem assumir o poder e manter os privilégios de quem os financiou e os impulsiona, ou os protege, ou lhes são "iguais"?  Embora tenhamos a sorte de, em nosso cenário, ainda haver alguma oscilação (ontem um partido, hoje outro, amanhã? Não se sabe...), haverão de ser, em essência, os mesmos sempre! Com as mesmas práticas, os mesmos escândalos, os mesmos apoiadores usufrutuários das benesses que conseguem em medidas provisórias e direcionamentos de recursos do Estado para si próprios. O dinheiro que alguém dá ao Estado vai à propaganda de si mesmo, gerando proteção de seus interesses e benfeitorias legais que são empurradas garganta abaixo no povo.

Vemos isso nos governos estaduais, nos governos municipais... Vemos, desde ao presidente ao sindico do prédio, um interesse de ganhar acima de tudo, a todo custo, benefícios para si e para os seus próximos. O dever de exercer o cargo em benefício do progresso de todos? Fica como plano de propaganda, de publicidade eleitoreira. Nas próprias instituições (de legislativo e executivo), em tese democráticas, com tantas pessoas sendo caçadas por corrupção... Basta ver a quantidade de atos ilícitos de servidores no ano passado (2015), por exemplo. Centenas de servidores desligados de seus cargos por atos ilícitos como, inclusive, corrupção.

Sociedade corrompida? Sim! Isso é secular. Sempre quisemos estar próximos aos nossos "senhores" para podermos ter algum benefício ou alguma garantia de segurança. Não? À medida que os "senhores" foram ficando mais distantes de nós (embora continuem existindo e exercendo seus poderes), tivemos de passar a arranjar formas de viver. Os esforços que tantos tinham por estar próximos aos seus "senhores" foram por terra e ficaram às próprias custas. Nosso "jeitinho" para as coisas (que há e sempre houve!) foi a alternativa usada por tantos na vida comum nesse desmame de benesses após terem ficado distantes dos seus "senhores". 

Precisa acabar e pronto, tudo isso! Acabar a enormidade de pessoas que conseguem, de alguma forma, estar por cima da lei, da nossa constituição. Basta de "senhores". Basta de capangas dos interesses alheios que usurpam os direitos dos demais, da coletividade. Saber que somos uma sociedade habitualmente corrompida é um fato, mas isso não pode servir de aceitação para que nada mude. É passada a hora de criarmos com isso uma condição de auto-crítica para dias melhores serem exigidos e, de fato, chegarem até nós.

Partidos deveriam fazer sua auto-crítica. Os filiados também - sobre si e sobre suas entidades. Não? Situação e oposição nadam no mesmo mar de lama. Um jogo de xadrez que visa estar por sobre a cadeira de presidente, de governador, de prefeito... Sempre é e foi assim! Nossa participação? Reclamar dos que não gostamos e abafar a podridão dos que estão "do nosso lado". Fazemos isso no dia a dia, "perdoando" os nossos próximos e condenando atos idênticos aos que não são do nosso convívio direto. Não? Mas isso precisa mudar.

Se partidos (quaisquer deles) fossem voltados ao povo, aos interesses coletivos como o conceito de política traz em si: todo e qualquer escândalo seria motivo de punição aos seus "irmãos". Doesse o quanto fosse, mas que, até prova de inocência, estivessem longe de qualquer poder ou força enquanto políticos que são. Não temos isso. Mensalões de psdb, de pt... todos deixando à esmo a devida punição. Por sorte, o governo tem feito mudanças que conseguem tornar procuradores em mais que engavetadores. Mas os próprios partidos deveriam mudar, agir, punir. Dar exemplo!

De "metrolão", de privatização, de "petrolão"... Estamos todos cansados. A nação sangra e sangra... O que seja ilícito ou suspeito que seja levado à justiça e procurem-se erros, falhas, corruptores e corrompidos. Nada de sigilos e silêncios seletivos. Basta! De desvios na estatal ao metrô de uso comum: tudo deve ir à fundo enquanto suspeito que seja. Quem não tem nada a esconder, por qual motivo teme e esconde-se com arquivamentos e sigilos? Tantos por nossas terras que escondem-se comprando mais poder de calar, de silêncio adquirido junto aos seus comuns e à mídia tentando fingir que nada acontece ou aconteceu... Até quando?

Até quando vamos ter essa maratona de "quem vai chegar na frente daqui a quatro anos"? A "corrida eleitoral" precisa acabar! Enquanto os partidos (e quem os financia) "correm", nós, Brasil, continuamos a dar passos curtos à frente e muitos para trás! Quando haverá um projeto de país? Quando haveremos de ter debates amplos, plurais, que procurem dar apoio ao mais simples miserável até o mais endinheirado banqueiro? Um país, de fato, de todos? Quando superaremos essa rotina de projetos pessoais de políticos e projetos corporativistas de partidos tomando força, ganhando com apoio do sistema que os financia em suas maratonas? Quando se encerrará o apoio cego de massas inteiras em meio ao povo alienado diante desse cenário nebuloso que sempre tivemos? 

Sedentos por justiça? Estamos todos! Que indivíduos políticos que tenham se corrompido caiam todos nas redes da justiça! Mas que não sejamos hipócritas de apontar dedos a uns apenas enquanto esquecemos de apontar para outros. Afinal, quando apontamos para algo, um único dedo vai na direção do outro enquanto outros três apontam para nós! Basta de criar eventuais messias que irão coroar a nação com o progresso! Basta de política messiânica e cega. Vale refletir. 

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Cidadão de bem?


Alguém vai e tenta explicar que um bandido menor de idade, por exemplo, poderia ser diferente se tivéssemos uma cultura diferente, de formação de indivíduos diferente, onde o foco de formar pessoas para o bem fosse presente em todos os lares através de um país menos desigual. Logo que você começa a falar algo assim, supostamente defendendo o bandido, alguém grita: "você diz isso pois nunca foi assaltado ou vitima de alguma coisa". Sim! Nem todos do mundo um dia foram vítimas de algo, mas isso não nos impede de pensar. Mas o peso da medida aí é a indignação e o ódio contra aquele que causa danos ao cidadão perpetuando o caos. Certo? Tudo bem. Sigamos.

Por outro lado, alguém vai e mostra que nossos policiais formados em nosso modelo atual (digo, p.ex., dos casos de excessos da PM dos Estados de São Paulo e Paraná) estão agredindo, espancando, agindo violentamente contra cidadãos professores, estudantes, manifestantes - nas ruas exigindo respeito por parte dos governos às suas bandeiras. Mas vemos todos defendendo que o excesso de agressividade tem de ser controlado e punido? Defendendo que as pessoas nas ruas exigindo melhorias têm de ser respeitadas? Não. Tomam para si discursos de: "tem que bater mesmo", "esse povo tem é que apanhar". Daí, pergunto: essa pessoa que pensa assim não usa transporte público? Ou não é professor? Ou não seria acometida pelos danos preocupantes à sua educação enquanto estudante? Ou, melhor dizendo: se um dia algum policial for agressivo para cima de um cidadão que pense assim, defenderá ele o que? Que a policia, no caso dele, seja pacata e desmilitarizada, enquanto para cima dos outros seja à paus e cassetetes, ou bomas e tiros?

Quais pesos e quais medidas usamos na balança dos argumentos nossos? Ao invés de criticar movimentos nas ruas, o cidadão comum ajudaria seu país estando presente, levantando pautas e melhorando os movimentos caso ele não concordasse com as pautas deles. Pronto. Melhorias, afinal: é o que todos, todos querem (ou deveriam querer) para educação e transporte público, por exemplo. Não? Não, aparentemente. 

Nossa condição é amplamente confusa. Não poderia ser diferente. Somos um país enorme, com pequenos pedaços por onde sempre houve enorme incentivo ao lucro e poder, enquanto outros pedaços de nossas terras sempre foram exploradas com seu povo sendo pisoteado nelas pelos abusos alheios também para incentivo ao lucro e poder - mas em poucas mãos, sempre. Dessa forma, somos um amontoado de pessoas distintas em infinitos aspectos, em um território quase de tamanho continental, que deixou por séculos a imensa maioria das pessoas na miséria enquanto uma minoria abastada comia, bebia e comemorava seus louros e seu ouro. Hoje, mais pessoas tomam para si a voz, os microfones, o empreendedorismo e o empoderamento das classes miseráveis está a cada dia mais tornando-se debatido, fortalecido e claro. 

Há tanto ódio ainda por ser verbalizado nas redes sociais, nas ruas etc? Há mesmo esse poço de raivas seletivas que pede cassetetes e bombas para cima de uns (cidadãos de bem como nós)? Quem pede todo ódio ao cidadão "do mal" que caiu na "bandidagem", p.ex., nunca pensará em levantar a questão de que esses cidadãos, quase todos, não tiveram nem educação, nem lar, nem saúde e nem, diga-se também, transporte público de qualidade nunca na vida? Esse cidadão "do mal" nasceu do mal e pronto? Não houve falhas com as quais somos coniventes - da educação ou do sistema como um todo? Não entenderemos todos que um indivíduo assim formou-se "mau" por nossa conivência? Com a desgraça desumana que transforma tantos  cidadãos comuns (iguais, em essência, a nós - diga-se de passagem!) em miseráveis sem muitas alternativas na vida por toda sua existência nesse mundo falsamente promissor para todos? Acabam por existir bandidos demais proporcionalmente à desgraça ampla que perpetuamos. Os males que causam alarde são consequência bruta de males que deixamos de ver e de agir por sobre eles.

Então, se você é um cidadão "de bem" que acha lindo estudantes apanhando, assim como movimentos sociais sendo transformados em vilões da nação ou ainda que pensa que nordestinos não sabem votar e que devem, de alguma forma, ser deixados de lado ou vistos como inferiores: se você fosse um dia pobre, entenderia o quão longe de uma igualdade e uma equidade razoável para todos estamos? E se você fosse um indígena, por exemplo, entenderia os males que afligem esse povo? Entenderia que os discursos que você odeia têm sim fundamento - embora alguns venham a postar-se contra privilégios seus, por vezes? O cidadão "do mal" que exterioriza seu ódio na marginalidade à qual sucumbiu é tão pior que você, cidadão "de bem" e bem criado, que exterioriza seu ódio nos preconceitos diretos ou indiretos que fomenta, verbaliza e, não raro, leva às vias de fato? Que país somos? 

Quão vasta é nossa terra? Geógrafos podem dizer. Questão de métrica, de matemática. Mas quão vasta é nossa ignorância ou quão vasto é nosso ódio? Quem poderá dizer? Questões que não se medem em números, mas sim estimam-se através de reflexões e conclusões.

O barco, o país, nós e as ondas do mar tempestuoso

O Brasil é meu país. E amo meu país! Admiro profundamente meu povo e o fato de termos chegado a esse ano de 2016 ainda vivos. Afinal, seguindo nossa história, sabendo que nossa imensa maioria sempre foi pobre e que o pobre do nosso país nunca foi tomado pelas mãos dos poderosos, fico feliz por nós! Tudo tinha para dar errado antes e termos sucumbido no tempo, mas estamos aqui ainda! Oba!

Mas, não sou cego! Vejo nosso país como um barco. Afundando? Talvez seja pessimismo demais. Não vejo esse nível de desamparo quanto às expectativas, mas, sim, precisamos agir! Nesse barco, temos um mar ao redor. O mar é o povo e suas ideologias. Pronto! Enxergam a metáfora? Ao lado direto, os chamados "de direita". Ao lado esquerdo, "os chamados de esquerda. Escondidos, sendo as águas por debaixo do barco, estão os de "centro". Quando digo "escondidos", não digo como ultraje a eles. De forma alguma. Apenas os coloco como centro e pronto, estando abaixo do barco que é a metáfora? Entendido? Sigamos!

Nosso barco sempre teve um imenso mar à direita. Sempre foi o mar que norteava as condutas e guinadas do capitão do barco. Desde a chegada dos portugueses aqui foi assim. Nunca houve iniciativas de olhar para outros lados ou seguir o destino de águas - ora à direita, ora à esquerda, ora sem guiar para lado algum. Maré... Maré... Não obedecíamos. Daí, chegamos a um cenário onde todo o mar da esquerda um dia foi olhado. Alguém tomou o barco, pegou o leme e disse: vamos olhar outras águas. As ondas à esquerda sentiram-se felizes. Um gozo completo de esperança. Algum tempo foi assim... Galgamos espaço naquelas águas, superamos ondas que poderiam ter sucateado o barco, mas não. Fomos firmes. Mas a tendência de nadar à direita retomou forças. 

Será por conforto? Por hábito? Talvez o brasileiro, na sua psiquê coletiva de povo, tem a ideia aristocrática tão arraigada que não consegue enxergar que marés de direita e de esquerda precisam ser ouvidas. Querem apenas manter o barco à direita, pois convenceram-se de que as ondas são melhores e formam melhores marinheiros. Quem sabe? Mas ambas as ondas formam marinheiros e precisamos saber entender de todo o mar para sermos bons navegadores. Entendem a ideia? Para o mar conseguir alcançar mares à frente, precisamos saber navegar em quaisquer águas, agradando e usando ondas de esquerda, de direita, para o bem comum - o barco? Será mesmo que ficaremos sempre a navegar em círculos? Uns querem navegar só à direita, eternamente. Outros têm externado interesses de aproveitar algum resquício de ondas de esquerda na navegação atual e ficar nadando em círculos à esquerda... Mas não. Não estamos mais indo à frente e nunca conseguimos de fato ir. 

Vez ou outra, em toda nossa história, mantivemo-nos guiados por sobre as ondas da direita e ora ou outra largávamos o leme e o barco assumia posição avessa. Alguns avanços, poucos, mas que vieram, foram somando-se. Desde que tentamos manter o barco por sobre ondas do mar à esquerda, algumas ondas à direita que nos fizeram também ir à frente de algum modo nos ajudaram. Talvez o fato de termos largado o leme por vezes e agradado algumas ondas da direita tenha sido o fato que nos manteve, de fato, já há alguns anos mais à esquerda. Mas isso está acabando. A bússola que norteia nosso barco está mesmo viciada e as ondas de direita estão novamente nos levando. Por sobre elas, vamos nós novamente navegar em círculos. Vamos mesmo?Deixaremos isso? 

Marujos? Ora, somos todos nós. Gostem de direita, de esquerda, ou de nada: estamos no barco e o mar é amplo. Somos milhões de marujos que dormem e comem no barco - uns no chão, comendo pão velho e outros em suítes comendo jantas fartas. Mas somos todos um corpo que se move chamado barco Brasil num mar imenso, repleto de ondas, de riscos, mas que tem todo um horizonte à frente. Iremos continuar em círculos? Navegaremos, remando, todos, seguindo ordens para um lado apenas? Não sei. Por ora, seguro me esforço controlando meu remo nas mão. As ondas têm sido fortes. Mais fortes que minha paciência e que minhas esperanças. Mas meu remo é minha arma e seguirei remando e sonhando com um país, digo, com um barco que conquiste mares e mares à frente.

Sobre cartilhas, sobre ódios, sobre indignações e sobre o que, enfim, devemos fazer?

Essa é uma tentativa de crônica que aborde assuntos que passam por nossos dias gerando ódios, tantos! Assunto polêmico: as cartilhas (liberadas ou pretendidas hoje ou um dia) do governo que abordam assuntos como sexualidade e diversidade. Ora ou outra, vemos parlamentares e cidadãos odiando e verbalizando suas intolerâncias sem nem saber direito sobre elas e, mais ainda, sobre o que há para se pensar sobre o assunto. Vamos ao texto!
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Vivemos um mundo de intolerâncias socialmente aceitas. Isso sempre foi um fato! Ainda hoje há! Em nosso caso e no caso do debate de ódios levantado por pessoas como parlamentares nacionais de ultra-direita: vemos pessoas (seguidores) ficando indignados contra toda e qualquer mentira que um parlamentar mal intencionado ( mais ainda nessa onda ultra-radical ) qual seja venha a dizer. Acreditam, sem refletir! Apoiam tudo, sem pensar! Compartilham! Não procuram saber. 

Hoje, passam as redes sociais por uma quase "universidade"de formação de imbecis. Pessoas essas educadas a acreditar em qualquer imagem e/ou meme que induza às conclusões fáceis, rasas, mentirosas e odiosas que sempre tivemos pela mídia, Hoje, elas chegam de forma mais rápida através das redes sociais às nossas casas. Porém, todos se sentem sabidos, conhecedores das coisas coletivas a partir dessa trivial atitude de abrir suas páginas de redes sociais e engolir os vômitos intelectuais alheios.

Porém, essas mesmas pessoas indignadas, defensoras dos bons costumes, da intelectualidade pujante neles, não raro (para não dizer quase todas), deixam seus filhos sem lar! Sim, sem lar uma vez que tantas de nossas gerações recentes são deixadas sem paternidade e maternidade, de fato (digo aqui da presença afetiva, da atenção, do ensino no lar etc). Daí, temos crianças que são "educadas": 1) na escola: para fazer um vestibular, mas não preparam para a vida  e 2) no lar: para os comportamentos socialmente aceitos adquiridos com grande destaque para televisão e internet. Pronto! Como pensar sobre isso?

1) A educação da escola serve para aprender conceitos que serão concentrados para uso no vestibular. Fato! Para entrar na vida do ensino superior. Porém isso é para muito poucos! De tal forma que a escola em nada (e nunca!) substituirá os ensinos essenciais ao convívio humano que um lar estruturado daria (lar, diga-se de passagem: com pai e mãe, pai e pai, mãe e mãe - ou seja: qualquer que fosse, mas sendo antro de amor e cuidados à criança pelos que assumem sua paternidade!). 

2) a educação pelas redes de TV e internet? A imensa liberdade que a internet dá, sendo usada sem apoio e embasamento intelectual devido, faz com que essas crianças, em sua imaturidade, fiquem expostas a uma enormidade de imbecilidades e conceitos de "socialmente aceitos" e de "importância" nas coisas um tanto quanto toscas. Não raro, crianças hoje veem sexo, exposição de corpos nus, apreço às imagens de magreza extrema e sonhos de serem "famosas". Em momento algum recebem orientações sexuais, sobre uso adequado de camisinhas, sobre uso adequado (quando atingem idade para tal) do uso de pílulas anticoncepcionais e demais métodos. Vão aprendendo, embora não entendam isso, às conversas malfadas com amigos, amigas, em grupos de igual idade e iguais dúvidas à eles/elas. Falta instrução, apoio e cautela no debate desses temas. E a TV? Ensina apreço a corpos esbeltos, numa insinuação ao sexo e à sexualidade diuturna, em qualquer horário, em qualquer programa (praticamente!). Mas isso não gera alarde, preocupação ou passa como "cartilha" de formação equivocada....

Formando pessoas nessa janela de alienação e incentivo à essa imbecilidade em tantos aspectos por parte da mídia como um todo: como se comportarão nossos jovens? O que fazem os indignados com cartilhas diante da "imbecilização" socialmente aceita que as redes de TV e mídia no geral implantam? Nada? Para a atuação das redes de mídia no geral, pai ou mãe nenhuma, defensor nenhum da moral ou parlamentar nenhum (e seu séquito) se rebela e acha afrontado! Por exemplo, comerciais de cerveja que sempre denigrem a imagem feminina como produto sexual passa como normal e pai, mãe, parlamentar nenhum com seus seguidores verbaliza espanto. Estranho? Acho que não. Vejo como esperado em se pensando no modelo de debate que os odiadores de sempre defendem.

Daí, disso tudo, não raro, por erros e descuidos e alienação quanto aos assuntos de sexualidade, os adolescentes chegam à idade de inserção no mundo sexual como jovens completamente ignorantes dos cuidados para si e para os parceiros. Isso é socialmente aceito? Entendo que sim! Pois quem consegue citar exemplos de pessoas em seu entorno que tiveram boa orientação sobre esses assuntos, superando tabus e dogmas? Alguém, de alguma forma, algum dia, em algum cartilha ou qualquer outra forma terá de fazer algo para que nossos jovens entendam conceitos sobre sexualidade, diversidade etc. Quem o fará? Como será? Quando? 

No fim, eu não entendo de onde surgem esses baluartes da defesa da ética, da integridade moral e do "bem" como esse parlamentar e seus seguidores nessa seita de ultra-direita - nem dos demais que ora ou outra tomam voz na mídia para falar suas idiotices que ressoam. Acho apenas que o conceito senhor de engenho e senzala ainda repercute demais nos nossos dias, mas nem vou me atentar a dizer algo. E acho também que sempre temos os adeptos do messianismo (político, religioso etc) que faz ora ou outra pessoas entregarem-se a um ídolo novo que será o "redentor" de seus sonhos (e ódios!) e da pátria. Tudo isso precisa ser superado. Vamos esperar.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Das indignações; do povo nas ruas; das violências usuais do Estado e demais incongruências nacionais

Se quando, sob indignação com o governo e com a crise econômica (indignação lícita e potencialmente benéfica, deixo claro antes de qualquer prejulgamento), nas ruas, as pessoas fossem recebidas à pauladas, bombas e tiros, obviamente todos entenderiam e fariam uma leitura da intolerância e da agressividade desse governo, do poder público, se portando quase em nível ditatorial. Não? Correto? Estou do lado das manifestações progressistas e ordeiras!

Sigamos o raciocínio com essa ideia. Por qual motivo, todavia, não gera indignação popular quando um movimento (lícito e também potencialmente benéfico) que reivindica várias coisas, dentre elas melhor prestação de serviço no transporte público, vai às ruas fazer sua manifestação e é recebido com aquela violência citada anteriormente? Indignação da mídia seria, nesse caso, pedir demais - penso assim. Afinal, a mídia não é lá grandes coisas quanto ao apoio às melhorias que beneficiam o povo dependente das coisas públicas.... Mas o povo achar normal? Não me desce bem...

''Ah, mas os manifestantes são baderneiros!'', poderiam dizer alguns. Será? Julgando que aqueles que se manifestam junto ao movimento passe livre são todos baderneiros, então, partimos da premissa de que o resto da população está aceitando o aumento? O resto da população está achando bom? Será mesmo então que os cidadãos que estão reivindicando transporte público de qualidade são somente ''baderneiros'' pagos por movimentos sociais ou coisas assim do habitual pensamento de conspirações nacional? Ao meu ver, é sim um movimento potencialmente benéfico! Assim como, é sabido, há sim baderneiros infiltrados que se utilizam da participação em algo assim para terem alguma notoriedade e, até mesmo, com intuito de prejudicar a imagem do movimento como um todo - não seria estranho pensar! Não? Penso assim, pelo menos! Estou mesmo do lado das manifestações progressistas e ordeiras! E estou do lado dos manifestantes em prol de transporte público a preço justo e de qualidade!

Mas, delongando mais nesse meu devaneio inútil e chato de hoje: consideremos então que o movimento atual contra a questão das passagens não valha a pena ser defendido. Daí, modifico a lógica para os professores ou os secundaristas, p.ex., que foram pedir atenção e respeito às suas causas pela educação. O tratamento foi diferente? Não! Pauladas, bombas.. Cães mordendo enquanto tiros e cassetetes voavam... Isso é mesmo aceito como normal? Isso não é usar da força do Estado para oprimir manifestações livres? Manifestações, quais sejam, que (pelo menos ainda) são lícitas! E, como as outras anteriores: são potencialmente benéficas! Nesse caso, são não somente benéficas, mas essenciais - afinal educação é nosso maior mal (a bem dizer: as falhas nela). Em sendo considerada essa manifestação como lícita, como benéfica: a opressão poderia ser aceita? Isso que ocorreu aos estudantes e professores não foi uma pincelada de nível ditatorial no nosso cenário?

Queria mesmo ver as coisas sem o peso que sinto pelas incongruências que vejo. Queria achar normal e congruência nas interpretações, nas comoções e nas ações gerais - sejam da mídia, do povo ou dos governantes. Queria mesmo! Entender nosso estado de caos seria mais razoável, mais esperançoso e menos doído se assim me fosse possível ver telejornais.

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Recomeçar? Sempre! Mas como?

Acompanhando assuntos de política há alguns anos (com maior atenção a partir de pontos cruciais do cenário inóspito que temos como: os escândalos mensaleiros dos grandes partidos nacionais, das investigações em curso pelo MPF/PF e das últimas eleições presidenciais, p.ex.) ficou uma questão na minha cabeça: onde é o fundo do poço? A lama que é nítida e geral não é vista por todos? Há mesmo pessoas que insistem ser verídica a premissa de que há gente ilibada e idônea nos altos escalões nacionais de política? Desconfio que todo o alto escalão está direta ou indiretamente envolvido nesse cenário triste de corrupção, má gestão e sonhos malfadados de progresso efetivo.

E o povo diante disso, segue se odiando nas ruas trazendo para os debates políticos o calor das discussões de futebol. Rivalidade imbecil, penso! E, em meio a isso: onde está o povo que esquece ter contribuído com votos a tudo quanto é tipo de corja que está ou um dia foi eleita? Aparentemente, nem todos são culpados... Ora..., como alguém consegue seguir essa premissa? Mas dispersam essa ideia aos ventos e há gente que a adquira para si. Eu, particularmente, não a aceito! Acho que todos  nós, povo, somos culpados sim! Afinal, desde o vereador mais esquecido, da menor cidade, ao presidente do país, para todos os nossos políticos há risco do cheiro de podridão - até que se prove o contrário. Não? Espero estar errado e sendo preconceituoso, talvez. Há gente honesta na política? Acho! Mas elas precisam provar e aparecer. Ainda não as reconheço. Pronto!

Ademais, ficamos nas mãos do cenário torpe de políticos ruins acobertados (mais ou menos) pelos meios de comunicação e por parte da justiça que deveriam estar do nosso lado. Revelando, apurando e condenando aqueles que se portem de modo ilegal diante das coisas públicas. Não? Mas a mídia que denuncia uns, condena outros, porém apura quase nada (sendo que apurar deveria ser a real função do jornalismo), é digna de levantar bandeiras de idoneidade ou é corrupta tanto quanto os que ela enquadra na criminalidade? E o cidadão que passa a vida sem preocupar-se com assuntos relevantes como política? Cidadão esse que, de um dia para o outro, resolve ser um cidadão vulgarmente indignado e verbaliza ódios e intolerâncias por todo nosso cenário, não é culpado? E a escola que não ensina ou debate práticas políticas, formando cidadãos sem esse conceito arraigado em sua mente? Ou o lar que esquece de ter esses assuntos nas conversas na formação dos seus filhos enquanto cidadãos desde pequenos, não traz uma chama da culpa que queima nosso progresso? Há erros por todos os lados. Sem falar que nosso povo habituou-se a pequenos tipos de corrupção que poderíamos resumir no conceito "jeitinho brasileiro". Afinal, o que é o político além de um brasileiro comum que chegou ao posto de gestor da ordem pública?

Vendo tudo, temos tanta podridão! O cenário é amplamente fétido, mas precisamos todos limpar nosso cotidiano para, assim, limparmos mesmo nossa história. É privatização de caráter duvidoso daqui; é propina de empreiteiros ali. É mensalão de uma cor e de outra; um que causa ódio nacional e outro que é quase desconhecido. Uns corrompendo, outros sendo corrompidos, mas quase todos na terra da conivência! É sonegação aos milhões, de tantos. Contas na Suíça; dinheiros na cueca; helicópteros de parlamentares traficando cocaína; jatinhos com voos pagos pelo povo para amigos e parentes, em viagens de passeio, para políticos nossos... De sonegação? Ah, nos falam pouco dela. Tantos sonegadores, quase todos eles desconhecidos, por sinal! Por algum motivo que não me interessa debater: "listas" de gente assim não "vaza" na mídia. Excesso de poder deles? Ademais, 'e delação premiada que condena uns automaticamente na m'idia, mas que, para outros, adquire ar de "isso não é verdade" ou "não foi assim"... A m'idia defende ou não uns enquanto automaticamente condena outros? Vejo que isso é fato! E, pasmem: fica por isso mesmo! 

Será mesmo que estamos querendo um país melhor? Ou simplesmente queremos mudar alguma coisa para ficarmos falsamente convencidos de algum protagonismo nacionalista? Qual atitude é essa a nossa? Fazer algo, qualquer coisa que seja mesmo que pseudo-consciente, pseudo-politizada? Mesmo que não dê em nada? Somos, politicamente, tão pífios assim? Conseguiremos superar a ideia tosca de política messiânica onde uns são tidos por deuses salvadores e intocáveis, ao passo que outros são demônios sem direito de defesa? Ou não? Estou vendo errado? Espero que sim! Mais ainda: passaremos a ter nas rodas de conversa discussões úteis e progressistas sobre qual país queremos e como chegaremos lá? Ou somente será mantida essa coisa rasa e torpe de brigar sobre quem deveria ou não estar no poder aqui e agora? Será que Saramago estava certo ou errado quando disse que temos uma democracia onde nos limitamos a: "retirar alguém que não gostamos para colocar alguém que talvez venhamos a gostar"? Basta de passos curtos. Basta de raciocínios para de quatro em quatro anos. Precisamos pensar um país para daqui a cinquenta anos, ou cem anos... Um projeto de país, não um projeto de governo ou projeto de voto direcionado pelo interesse pessoal (unicamente) de cada eleitor.

Finalmente vemos nossa justiça fazer algo, deixando de ser cega. Coisas que nunca nem imaginávamos! Nossos políticos ficando com medo? Até recentemente, todos eles passavam por quase intocáveis, mas vemos tantos hoje saindo de suas vidas falsamente ilibadas para virarem réus publicamente expostos. Se o povo irá voltar a votar neles num futuro? Aí fica à cargo da expectativa. Decerto, de tudo isso, a impressão que me fica é: vamos ficar sem governo! Em qualquer esfera, ficaremos definitivamente sem governantes se, de fato, investigarem tudo - e todos! Tomara que assim seja! Tomara que assim nossa justiça aja! Tomara que um dia nosso legislativo eleito saiba manter e aprimorar métodos legais de punir e coibir corrupção e atrocidades da gestão pública. Para isso, precisamos ser cidadãos mais atentos aos assuntos de política! Ser mais "politizados", como se diz. E precisamos ser mais espertos, também! Basta de ficarmos "caindo" nas falácias do marketing e publicidade comuns que ficam insistindo em vender gente corrupta como idônea e salvadora da pátria. Basta de messias por todo lado, a todo canto, de qualquer "cor partidária" que seja! 

A questão mais progressista para nosso cenário político seria, ao meu ver ação na seguinte forma: tudo quanto seja político que exista no nosso país hoje, que seja afastado até provar inocência! Provar com testemunha imaculada qual seja, bem como assinado o documento de ratificação de inocência por Deus! E com firma reconhecida! Sem isso, fica afastado todo político existente hoje no nosso país até a próxima encarnação pelo menos. De qualquer cargo! Assim, que comecemos do zero, voltando a uma espécie de "um novo ano de 1500"! Redescobrindo o Brasil que tanto pode dar certo, mas país esse onde sempre houve - e há - mãos demais atreladas ao crime (caso de uns) ou à conivência (caso da maioria) - consciente ou inconscientemente, direta ou indiretamente.

Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Por um novo ano de 1500!

É dia 11 de janeiro de 2016. As redes de TV - para nossa sorte ou azar - seguem existindo! As notícias seguem servindo aos interesses escusos, como sempre, de quem - de alguma forma - tem mais poder sobre o todo que outros. E entenda-se como parte desse "outros", nós - o povo! 

Vivemos uma era em que os jornalistas mais denunciam e condenam que investigam e apuram. Estranho? Não! Virou realidade inconteste. Apenas não vê isso quem, de alguma forma, ou está dentro do sistema criado ou está envolvido - mesmo que não saiba - pela mentalidade dele. De país? Temos visto lampejos de correções daqui e dali. Heróis de ontem virando vilões. Vilões de ontem seguindo vilões... Ora, mas ainda os conceitos para definir esse ou aquele como vilão ou não passam pelo crivo de quem forma opinião de massa. Não? Quem dera eu pensasse diferente...

Acompanhando o que a mídia não libera e o que ela libera, dá pra pensar muita coisa. A conclusão que tenho pra mim é: deve ter gente demais de cara feia para o Cerveró agora! Vão adiante quaisquer investigações que contrariem o "status quo" das manchetes? "Status" esse que, por sua vez, alia-se (e aliena-se!) aos interesses das grandes corporações de sempre, das visões doentias partidárias de sempre - quer sejam azuis, vermelhas ou de qualquer "cor"... Será que nosso país vai ser lavado mesmo? A força nas ruas vai aumentar ou vai diminuir agora em que a capa de pureza e idoneidade de uns e outros está sendo desfeita? Vai mesmo adiante o Brasil melhor que todos queremos? Será que sim? Se tudo der certo, toda essa baderna vai encerrar... Poderemos ter, dada essa sorte, uma espécie de "novo ano de 1500". Um recomeço! 

Sonegadores; corruptos; partidários doentios; todos os incentivadores do caos e mantenedores de privilégios pessoais, corporativos e de grupos; todos os portadores de ar falso-moralista: enquadrados na lei! Com todos esses enquadrados, encarcerados, expostos, superando o estigma secular do: "você sabe com quem está falando?": talvez poderemos superar essa rotina de ideais de política messiânicos toscos! Superar essa rotina de tanta gente doente (digo das doenças partidário-sociais ou psico-sociais, p.ex - como pudemos ver desde a última eleição presidencial) e/ou de mãos sujas defendendo falsos-mártires e partidos salvadores da nação! Renovação esperada e necessária para passos rumo a um novo futuro. Nunca mais voltando os tempos onde ninguém sabia de nada, ninguém investigava nada, ninguém se indignava e apurava nada, nada, nada... Que haja lei para toda falta de retidão! Que haja punição para toda ação por fora da lei! Que haja lei para todo e qualquer cidadão - sem ser importante quem ele seja ou foi ou representa! Basta de coronelismos e outras realidades tupiniquins malfadadas que nos prendem nesses séculos incansáveis de ausência de ordem e de progressos tão "mesquinhamente" escassos!

Fato é (e sonho com a apuração disso) que: de passado e presente, há muita lama a ser exposta! Finalmente exposta! Com sorte, veremos o tamanho do buraco que cavaram século a século, década a década no país que tanto tem (e sempre teve) para ser lindo e promissor para todos! De futuro? Há a difícil escolha: qual projeto de país? Alguns querem o país dos poucos de sempre, da plutocracia - voltado ao fomento do capital das mãos de poucos, dominador dos miseráveis como sempre foi, que "um dia" há de ser pluralizado. Outros querem o país de todos, para já - com projetos sustentáveis econômico, ecológico e socialmente, com objetivos de fim da miséria, de sustentação democrática e pluralidade de direitos. 

Cabe esperar e ver quem haverá de ter mais força para o seguimento desse novo país que tem a chance de surgir. Quem terá as rédeas do futuro nas mãos, caso esse esperado recomeço (nessa espécie de um "novo ano de 1500") vá adiante? Caso os que sempre dominaram percam (os baluartes da plutocracia), será ímpar na história do mundo esse futuro conquistado, quiçá. E a pátria  brasileira, amada e amorosa, sempre tão vilipendiada e maltratada - século após século, enfim servirá aos seus cidadãos como mãe de todos - brasileiros nativos ou imigrantes que aqui vivem (como é o caso da maioria, exceto os índios)!

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Perdão!


Outro índio morreu! Não fui eu. Nem você. Nem ninguém! Índios morrem, mas isso não nos incomoda! Isso ocorre desde 1500! Não procuramos culpados. Somos, afinal, um povo que ensina nas escolas que os Bandeirantes eram heróis nacionais. Desbravadores! Não. Eram assassinos. Matavam indígenas. Tomavam suas terras. Pronto! Fato!

A morte de indígenas não nos gera comoção! Alguns dirão que isso é mentira... Tudo bem! Cada um enxerga da maneira que seus olhos podem ver. De minha parte, não vejo comoção alguma. Habitamos o ano de 2016 e, passados séculos após o malfadado ano de 1500 aos povos indígenas da América, eis que sua morte, um a um, índio a índio, segue impune. O dia do calendário dedicado aos indígenas passa quase que despercebido para a maioria. O mesmo ocorre para o dia da consciência negra. Porém, nosso país comemora o Halloween. Não entendo nosso país!

Na última semana do ano de 2015, vimos uma criança indígena ter sua garganta cortada por uma lâmina. Sua mãe, estarrecida com a criança sangrante no colo, viu sua criança morrer e o assassino sair, caminhar para a terra da impunidade e do esquecimento. Mas o assassino será preso! Será condenado! Dirão alguns. Isso basta? Tenho pena daquela mãe. Tenho pena daquela criança indígena que morreu. Tenho pena de todos os índios!

Nós, imigrantes, dominamos as terras brasileiras desde que pisamos nesse solo. Índio sobre índio, acumulamos corpos empilhados fazendo os muros de nossa história. Mas não vemos esse muro que cerca o surgimento e a história de nossa pátria!

A criança branca à beira-mar na tragédia de refugiados sírios circulou em todos os jornais. A comoção nas redes sociais foi às tantas. Não podia ser diferente! Outra criança que perdeu seu futuro! Outra criança que o mundo deixou que morresse pela atrocidade do ódio. Porém, eis que a criança indígena morre naquele mesmo ano. Nada de alarde. Nenhuma comoção? 

Creio que nosso povo não é tão cruel a ponto de ficar imune às lágrimas pelo ocorrido com mais aquela família indígena, mas, endiabrados pelo poder da mídia que nos silencia e nos torna ignorantes de nossas condições reais, deixamos os vilões quaisquer, assassinos de indígenas, grandes empresários produtores de capital: todos soltos! Passam todos eles pelas ruas, pelos jornais, pelas redes e pela publicidade sem gerar qualquer alarde. Completa impunidade!

Assim como vimos as terras da tragédia à jusante das águas do Rio Doce e seus afluentes serem destruídas impunemente, veremos mais índios morrendo! Indígenas, por sinal, manifestaram-se contra o ocorrido no Rio Doce! Os únicos nativos nas terras de Minas Gerais que vi se mobilizarem! Lutaram para aparecer na mídia, mas ninguém deu atenção. Tentaram eles levantar a bandeira do abandono que o Rio ficaria. Tentaram levantar as mãos na esperança de serem vistos, ouvidos, ajudados... Pescadores sem seus peixes. Abandono completo!

Índios e demais brasileiros, ribeirinhos àquelas águas, todos expostos aos metais pesados e à contaminação de seus peixes, das algas locais... Um mar de destruição que, de fato, juntou-se ao mar propriamente dito para seguir destruindo mais e mais vidas, agora marinhas, quiçá! Mais espécies morrerão! Mais cidadãos brasileiros serão contaminados! 

Metais pesados? Sim! O vil metal é o que mais pesa e mata através da ganância! Vil metal... Maior norteador da trajetória humana: o ouro - entenda-se por ouro toda forma de riqueza, de poder! Impunidade compra-se a preço de interesses mútuos que passam, sorrateiros, sob o manto protetor da conivência nacional - mais assustadoramente e em especial: da mídia! Quanto será o preço pago para tamanho silêncio? E o povo? Fica no meio disso tudo!

Indígenas mortos! Como os peixes e o Rio: mortos! Boiam nas águas da impunidade! Mas ninguém vê seus corpos, nem muito menos vê o mar... Nem tampouco se comove ou se une contra a impunidade. O vil metal corroeu nossa concepção cidadã? Onde foi que erramos? Afinal, pessoas unem-se nas ruas contra um governo que gerou crise econômica! Ótimo! Toda manifestação é lícita e, de certa forma - até prova em contrário - bela! Mas nenhuma alma viva se moveu ou foi às ruas para defender os povos indígenas, ou os rios ou os peixes contra as calamidades!

Todas as populações humildes de nossa pátria estão à esmo, como sempre. Mas aqueles que mais possuem são os que mais se manifestam! Claro, nunca em favor dos humildes, mas sempre - e somente - em prol de si mesmos e de seus interesses. Quem vai "pagar o pato" pelos índios? E pelos peixes? Não sei! A história nunca nos absolverá! Os livros, no futuro, provavelmente sim! Afinal, contar de forma equivocada nossa história, elevando a heróis nossos vilões e a vilões nossos humildes: isso é corriqueiro. e já sabido! 

Ah, quem dera pudesse voltar no tempo. Voltar no ano de 1500... Preparar os índios a paus e pedras, flechas e porretes, quais fossem nossas armas disponíveis. Colocaríamos para correr daqui e afundaríamos todas as embarcações portuguesas que chegassem! Índios, crianças, futuro, peixes, ética, moral do Brasil: perdão!

Pedro Igor Guimarães Santos Xavier