O dia de hoje é um dia em que temos que pensar muito. Nossa sociedade está em amadurecimento. Precisamos aprender a refletir e engolir menos argumentos pré-fabricados. Debates amplos e claros.
Mulheres ganharem menos que homens? Ainda é fato! Fazendo as mesmas funções e etc? Isso ainda é socialmente aceito? Vejo que sim. Não há mobilização suficiente para criar o devido alarde para isso e corrigir esse mal que é sequela de nossa sociedade machista. Um pretenso candidato, agora pelo PSC, à presidência já divulgou seu pensamento norteado da seguinte forma: mulheres deveriam ganhar menos, pois engravidam. Esse cidadão é aplaudido ainda. É parte dos modismos pseudo-idôneos que temos em nosso modelo messiânico de política...
Aparentemente também, não sabemos dos índices de vitimas de estupro e outras formas de violência contra as mulheres. Caminhamos a bons passos (não sei se passos largos, mas bons passos) para a criminalização efetiva desses tipos de violência e maior atenção, bem como maior facilidade às denúncias. Além de nossa ignorância voluntária sobre assuntos quanto aos chamados "direitos humanos" (que hoje em dia insistem em queimar enquanto conceitos), vemos parlamentares tidos por "religiosos" que defendem abertamente medidas de coerção e limitações ao sexo feminino, a ponto de postularem ideais de criminalizar profissionais de saúde que façam atendimento em casos de estupro, orientando o uso de medicação anticonceptiva de emergência. Isso é outra coisa pavorosa que temos sendo criada em nossas bancadas que passam incólumes, vomitando preconceitos e ódios diariamente enquanto enriquecem às custas do dízimo alheio, enquanto dizimam ideais progressistas de uma sociedade mais justa que merecemos ter.
Aparentemente também, esquecemos do nosso acervo de atrocidades televisivas. Recentemente, um grande canal de TV, em um programa de modinha sobre culinária, teve o fato pavoroso da pedofilia tomando corpo. Assédio e insulto com caráter agressivo e criminoso, em tom aberto de pedofilia, em redes sociais a uma participante daquele show! Todos viram. Deu certa repercussão, mas ínfima perto da gravidade do fato. Era uma criança! Criança que foi vítima de criminosos, pedófilos, despudorados, imbecis, que tomaram corpo nas redes sociais agredindo a criança com suas ofensas. Aquilo já foi esquecido! Não demos atenção? Não nos importa? Achamos que aquilo foi algo "isolado"? Não. É comum. É corriqueiro. É um mal e uma sequela de nossa sociedade de machismo e impunidade que reverberam um conceito sobre o outro.
O que mais precisamos pensar? Precisamos lembrar que tomou corpo campanha contra racismo quando uma repórter da maior rede de TV de nosso país foi vítima de comentários racistas em redes sociais. Tomou corpo o debate. Durou até um certo tempo aquele despertar do assunto... Mas morreu também. Mais ainda, morreu sem nos darmos conta de que aquela mulher teve sua defesa pela oportunidade de trabalhar na TV. Mas e as mulheres negras que sofrem preconceito e violências outras diariamente em periferias, nas ruas comuns do nosso dia a dia? Não fizemos uma reflexão ampla... Aparentemente, julgamos ser coisa "isolada" também tudo aquilo.
O que falar então dos padrões de beleza? A insinuação diária, diuturna, de que mulheres bonitas devem ser loiras, de corpo escultural e pele clara? Isso passará sempre incólume? Toda mulher é linda. Toda beleza é bela, ao seu modo peculiar e sem padrões! Não há padrões de beleza. Há padrões de argumentos torpes, isso sim. E quanto à beleza, os argumentos torpes são imensos, diários, e convencemos inúmeras mulheres lindas, aguerridas e fortes, de que elas não fazem parte dos "padrões". Deixamos essas mulheres à mercê de processos de destruição da auto-estima de todas elas quando não se inserem nos padrões pré-moldados de beleza. Faremos algo a respeito? É preciso!
No mais, o Dia da Mulher é um dia sublime. A presença da feminilidade nos faz ter um mundo mais leve, mais humano e, com sorte, há de ser vencido o machismo usual dos nossos padrões de pensamento, de beleza, de argumentação. Venceremos todo e qualquer mal da sociedade, um dia. O machismo é um desses males. Já é passada a hora de valorizarmos mais as mulheres e estarmos mais atentos ao caos que damos à elas ainda.
Por dias melhores ao mundo e, em especial: por dias melhores às nossas mulheres.