quinta-feira, 12 de maio de 2016

Sobre nós, nosso tempo, H. G. Wells e as catástrofes

É importante, em primeiro lugar: o respeito. Em segundo: respeito novamente. Tem sido um mal na era das redes sociais isso: a falta de respeito ao outro - pela sua ideia, sua etnia, pelo seu gênero, pelo seu time etc. Qualquer coisa vira motivo de ódios e discursos verborrágicos de insanidade pura. 

Achando-se fortes, postando-se de corajosos guerreiros das causas próprias e de seus "grupos", cidadãos comuns como nós saem vomitando ódios, tempestades de vômito em intolerâncias pela boca. Quase que "acéfalos funcionais", muitos saem com seus dedos a digitar atrocidades a todo canto sem nem refletir os danos que causam com tudo isso - a si mesmos, ao outro e ao futuro de nossa espécie, claro - não é exagero dizer isso. 

Ora é xingamento a uma pessoa pela etnia da qual faz parte. Ora é humilhação e desrespeito ao outro pelo gênero que assumiu para si. Ora é em assédio pedófilo a uma criança que apareceu em um programa de TV. Ora é atirando ódios através da brilhante dicotomia (ironia, claro!) às beiras de um "apartheid" entre "coxinhas" e "petralhas". Onde chegaremos com isso? Onde está a capacidade de percepção dos erros? Por qual caminho estamos indo - e ainda deixando nossas crianças a assistir nosso mau exemplo?

O ser humano, é fato: sabe exercer melhor seu ódio que seu amor. Todos têm amor, basta procurar (raras exceções - acredito!). Mas encontramos muito mais ódio e massacres na "bibliografia", "enciclopédia" (ou quase isso) de comentários contra aqui e acolá que se nos apresentam pela redes - pela vida, a bem dizer, pois a internet é parte de nossa geração.

Não sabemos conviver com a era das redes sociais e de fácil acesso ao mundo virtual? Ou não sabemos conviver, puramente, olho no olho? Ou, o que seria pior: não sabemos conviver olho no olho e daí tomamos coragem para falar atrocidades, ferir pessoas, perder amigos simplesmente por estarmos "protegidos" atrás da tela do computador? São (pessoas assim) os exércitos de "corajosos das poltronas confortáveis" - ou algo assim. Prestam serviço diário ao ódio ou - caso não consigam externar seus sentimentos ruins por algum motivo, inclusive por falta de argumentos - deletam as pessoas. Pronto! Mas na vida real as pessoas não podem ser deletadas - embora alguns, dotados de tanto ódio, achem que isso possa sim ocorrer, a depender do julgamento exercido por suas intolerâncias. Mas isso é outro tema... 

H.G Wells disse, certa vez (anos e anos e anos atrás), algo do tipo: "nos é inútil ficar sentados em meio a tantas coisas desconhecidas, tentando resolver enigmas. Você acabará um aficionado! Encare o mundo! Aprenda dele seus costumes; observe-o; não tire conclusões precipitadas. No final: você acabará encontrando todas as respostas". Mas queremos achar respostas? Acho que não. 

O mundo é confuso? Sim. Há informações demais e pouca formação, lado a lado? Sim. Porém, simplesmente queremos que as pessoas concordem conosco? Vejo que isso é cotidiano hoje. Não nos importa achar os pontos chave, as respostas e razões das coisas e argumentos alheios. Há uma grande diferença nisso: encontrar as razões e querer que nossas razões sejam aceitas. Desse ponto surgem tantos perigos para nossa época. Temos então redes sociais e raciocínios de ódio de mãos dadas, dia após dia.

Aquele mesmo Wells, noutra ocasião, disse algo semelhante a: "no futuro, haverá uma corrida entre a educação e a catástrofe". "Pronto, danou-se tudo...", pensei num primeiro momento refletindo. Não quero afirmar com certeza que a catástrofe tem ganhado. Não! Confio na educação. Mas são tantos os que lutaram por ela, no Brasil, p.ex., mas morreram colocados como parte do cenário, não como essência e protagonistas. Passaram sem muito sucesso. Paulo Freire? Darcy Ribeiro? Suassuna? Tantos... Saudosos, todos.

Educação não é meramente saber digitar o nome, ou escrevê-lo. Educação necessária para superar catástrofes é aquela que envolve o conhecimento técnico sobre coisas (sim, escrever é uma delas), mas também gentileza interpessoal, apreço à cultura de seu povo (e dos seus concidadãos), exercício de temperança diante das adversidades e da diversidade. Entende? 

Num futuro (torço para que chegue logo): quem sabe sejamos mais educados assim? Quem sabe procuremos mais a razão das coisas ao invés de tentar convencer os demais das nossas conclusões e das conclusões do grupo do qual pertençamos? Quem sabe antes de odiar, "vomitando" discursos de insanidade odiosa por aí, ou de ao invés de brigar com alguém (ao vivo, olho no olho, ou pela internet) saibamos mais conter a catástrofe que, em potencial, nós temos sido?

quarta-feira, 11 de maio de 2016

"Não fui eu, não foi você quem escolheu viver nesse mundo tão frio"

"Insensível" está tocando aos meus ouvidos. Banda? Titãs. Sim, estou em casa! E estou em casa em plena quarta-feira, um dia qualquer de maio. Estar em casa em dias que usualmente você estaria trabalhando pode ser bom ou ruim. Tudo depende da visão que você carrega de si, do tempo e das coisas. Eu, particularmente, sou tentado a ficar "viajando", pensando e repassando as coisas que pensei dentro da minha cabeça. Daí, concluí hoje algumas coisas. As seguintes coisas:

- o ano de 2014 passou e eu achei ele um ano estranho. Tinha a impressão de que seria uma baderna. Depois concluí que foi mesmo uma baderna - ao meu ver. Pensei então que tudo iria melhor em 2015. Têm uns que dizem que ano "ímpar" dá sorte. Não sei se mudaram de opinião, pois achei que o ano de 2015 foi ainda mais estranho, mais chato, mais pesado e demorado - embora mantendo a mesma lógica dos 365 dias com suas 24 horas bem distribuídas.

Então, continuei repassando pensamentos, memórias e ideias na cabeça e me peguei refletindo, adiante: 

- já estamos em maio de 2016, quinto mês de doze dos esperados para o ano. Pronto! E cá estou eu vendo esse ano ser ainda mais estranho, ainda mais esquisito e totalmente "sem pé nem cabeça" dentre todos os trinta que já vivi. Por quê? Há vários motivos. Mas, enfim, pensei, repassei os pensamentos e pronto! Arrumei um norteamento: ou eu estou lascado ou é o ano que se "estrumbicou"?

Determinei que eu deveria estudar o caso mais a fundo. Isso seria um exemplo de ócio improdutivo? Sim, não tenho argumentos contra. Mas, insistindo em pensar nesses pensamentos, surgiram as seguintes hipóteses:

1) não sei se é pelo fato de ser ano bissexto.... Há os que creem nessas coisas de calendário mudando as vidas das pessoas de acordo com lua, sol, planetas etc. 
2) não sei se é pelo fato de eu estar ficando mais velho e, quem sabe, seja uma demência precoce pela qual eu esteja passando/entrando mais e mais... 
3) não sei é de nada mesmo, e qualquer hipótese em nada importa: eu que sou um chato reclamando à beira do ridículo! 

Enfim, só estou achando 2016 um ano bem confuso, chato... Esquisito? Sim! Mas esquisito eu já sou. Ou será que o ano também? Nos âmbitos social-político e/ou filosófico-antropológico: dizer o que? Todos devem concordar que há uma completa baderna instalada... 

Uma coisa é certa: ou sou eu, ou é o ano, ou é a realidade que está esquisita! Não estou entendendo bem das coisas, afinal. Mas, se for pra votar: voto mesmo é em mim como sendo o problema... Afinal: sou esquisito de carteirinha, com título registrado em cartório! 

Ah, preciso de novos óculos para enxergar a vida! Pronto! Pelo menos estou menos pessimista esse ano... Quem sabe até mesmo chegando ao ponto de conseguir ser o sonhado "realista esperançoso" (tal qual Suassuna) que eu queria.

Pronto! Acabei. Quando eu fico em casa, eu "viajo" nas coisas e tendo a estar filosofando acerca de inutilidades. Ademais, o que dizer após saber que vou postar isso num blog? Talvez a melhor coisa a ser dita se dê parafraseando algo da obra de Suassuna: "num sei... Só sei que foi [e está sendo] assim". 

segunda-feira, 18 de abril de 2016

Náuseas... Vômitos verde-amarelos.

Carta a Deus - de número I

Há algo a temer, Deus? Perdão! Não tenho fé suficiente para suprimir meus medos. O que aconteceu em 17 de abril de 2016 no meu país, Brasil, mais especificamente em Brasília - com respingos em todo nosso território nacional, foi desesperador. Não? Para mim foi! Entendo que o Senhor queira de nós coragem e força.. Até fé! De fato, somos uma espécie ignorante, egoísta e que em pleno século em que estamos ainda usamos religião mais para arregimentar dinheiro e status que para adquirir melhor caráter. Merecemos o que foi visto naquele domingo... Temos que superar mais esse momento histórico da nação. Mais esse humano da história humana, a bem dizer.

Mas, Deus, convenhamos: deixar tantos canalhas usarem seu nome para ganhar algum aplauso ou alguma comoção junto aos "cidadãos de bem" ou sei lá o que mais pretendiam? Tantos esses que nada fazem ou fizeram pela ampla correção de nossos males? Esses que estão (e vão) deixando um réu, sonegador e, não apenas isso, alguém que mentiu à justiça, alguém que vive ainda como Presidente da Câmara por negociatas e conchavos, alguém que prova a todos os olhos (estrangeiros ou não) que somos uma "Republiqueta de mer**" que permite gente enriquecer às custas de religião e criar "feudos"? Deixam esse cidadão, que de fato também é filho Teu -eu sei! - iniciar as votações daquele dia 17 pedindo Sua "benção"? Acho demais. Erro meu e intolerância minha, sim. Mas estou meio cansado de hipócritas. Perdão! 

Acho demais, Deus, essa bancada dita religiosa, que apregoa a si o título de "bancada evangélica" (qual Evangelho leem?) tomar discursos lado a lado de gente que eleva a voz em prol de ditadores e defensores desse regime violento... Lado a lado de pessoas que elevam vozes, punhos e dão seu voto em crédito a grupos que apoiam o atual presidente da Câmara dos Deputados que é denunciado por enriquecer-se usando "jesus" como pretexto - até dando a Ele um nome de empresa. Ah...! Colocar Deus ou quem quer que seja nesse quesito, nesse política, prefiro acreditar que há o céu para esses então e, entretanto, que há algo superior, melhor, às pessoas que de fato sejam lutadoras no bem! Pessoas estas que tenham os argumentos do Evangelho de Jesus sim como norteamento de ações e não como vemos: sendo usado por moeda de troca a depender dos olhares comovidos ou não da platéia. Deus, bem, como Jesus disse, está (em resumo) na defesa da coletividade, do repeito aos diferentes e do perdão às ofensas tudo quanto devemos nos prender enquanto cristãos. Por isso, pelos ensinamentos de Jesus: temos que perdoar, correto? Indulgência, benevolência... Sim! 

Temos, todavia, que entender que ainda somos passíveis de ter de tolerar um ex-militar elogiando um torturador em plena casa do povo brasileiro e ainda seguindo como ícone dos homens de bem da nação. Ainda somos falhos a ponto de ter que tolerar gente que cria empresas de fachada contendo o nome de "jesus" virando baluarte da ética e da defesa das famílias, de um governo idôneo e plural. Ainda merecemos ver gente que mal sabe falar a palavra impeachment crucificando com tons de superioridade e elitismo um ex-presidente desse país que não tinha curso superior e, de fato, chegou ao cargo máximo da nação (ainda) presidencialista.

Disseminar o ódio, a hipocrisia, a maledicência, as condenações prévias, nem são lá tanto pecado assim, pelo que entendo, estou certo? Pode ser só meus olhos enevoados por angústia, Senhor. Perdão. Mas, aos olhos distraídos, vendo nossa Bancada Religiosa, dita "Bancada Evangélica" não fazer nada contra o Presidente daquela Casa (pelo contrário: vê-los aplaudir e aplaudir inclusive um defensor de torturadores de humanos)... Vendo não ser feito nada contra discursos de ódio e intolerância. Vendo gente defendendo e aplaudindo torturadores (insisto nisso) de regimes anteriores, (mas recentes e vívidos ainda) nos serve para quê? Qual o ensinamento por trás disso? Confesso que apenas me serve para dar náuseas. Rememoro Fernando Pessoa e digo: "(...) tenho vontade de vomitar - e de vomitar a mim... Tenho uma náusea que, se pudesse comer o universo para o despejar na pia, comia-o". E deixo a questão ainda rememorando Pessoa: "(...) Santo Deus, que entroncamento esta vida!". A cada esquina, a cada dia, cruzaremos com mais náusea, náusea, náusea...Até quando?

Bancada de ruralistas? Não vou generalizar, mas gente que têm visto seus latifúndios infiltrando centímetro a centímetro nossa terra com agrotóxicos, pensando apenas nos lucros da produção? Tentando vender produtos "vegetais" aceitos legalmente sem o aviso de serem "transgênicos" ao povo? E de bom grado? Qual a ética nisso? Gente que está acabando com nossas nascentes, com nosso aquífero Guarani, p.ex., enquanto ganha, ganha e ganha seu dinheiro com mãos sujas e infiltradas em agrotóxicos? Ganham. Ganham muito. Não enriquecem (apenas - pois uma coisa não exclui a outra) na forma de dízimo alheio, mas na forma da exploração da maquinaria que substituiu o lavrador... Por isso também! E os últimos lavradores ainda empregados que recebem emprego nessas imensas áreas devastadas (para plantio de soja, cana ou para virar pasto de gado) servindo ao exército de trabalho naquilo que chamam latifúndio? 

De fato, o "Funeral de um Lavrador", de Chico Buarque, ainda é tema padrão para ser cantado. Afinal, a cova em palmos medida é a conta menor que tantos, tantos miseráveis ainda seguem tirando em vida - com o suor de suas roupas e o esmigalhar de seus ossos. Enquanto perdem isso e sua autoestima, não tendo ninguém por eles, enriquecem a iniciativa privada latifundiária - o "agrobusiness". Isso é certo? Não sei. Sou só um pecados a mais do mundo - porém com náuseas por esse mundo. Mas esses exploradores sem limites da terra "trazem o progresso", irão retrucar de pronto os cidadãos de bem que concordam com tal álibi. Eu não quero discutir! Também me enoja. Entenda, Senhor: isso é apenas um desabafo... Longo desabafo, sei. Mas é que há muitas coisas entaladas como calos na garganta causando tantas, tantas náuseas.

Vendo tudo, canto em alta voz a canção de Radiohead que começa com "A heart that's full up like a landfill (...)" - "Um coração que está cheio como um aterro". Sim! Sinto-me um aterro! Tudo o que vi ontem me enoja e em nada me dá de explicações em esperanças! Os representantes do povo? Enojam-me. Os discursos em defesa do povo? Enojam-me! As vozes contra corrupção e pela idoneidade? Enojam-me. Minha imagem de meu país se contorce dentro de mim a ponto de me querer fazer vomitar. Por isso, desliguei a televisão. Já não aguentava mais ver todo aquele circo de ratos, patos etc - patrocinados, com ódio nos olhos, sangue na saliva como cães prontos a morder! Afinal, não se podendo mais patrocinar campanhas, o poder tinha que ser tomado para o grupo que vem perdendo há anos eleições (apesar dos tantos patrocínios) de alguma forma, não? Custasse quanto fosse: a hora era ali! Fez-se pato, fizeram-se bonecos infláveis, tomaram às mãos vuvuzelas. Lícito tudo isso! Mas limitado demais, aos meus olhos de pecados nauseado. De fato, a guerra oficialmente não acabou, porém, a derrota ética, moral, religiosa (inclusive) é muito maior que um resultado de processo de votação qualquer para colocar ou depor qualquer governo que fosse. 

A história há de nos julgar? Quem sabe? Espero mesmo que o Senhor esteja atento. E julgue! Há erros para todos os lados para condenações aos infernos que haja. Não somos mais como no trecho de Guimarães Rosa onde ele dizia do diabo na rua, em meio ao redemoinho. O "diabo" (não considero que ele exista como figura, mas dentro das pessoas, como coisa ruim) está por todos os lados, em todos os cargos, em todo canto - aplaudindo, aplaudindo... O Senhor mesmo disse que "nem todo aquele que diz 'Senhor, Senhor' " entrará no Reino dos Céus. Correto? Entendo que o Senhor não quer saber daquele que simplesmente fica por aí clamando "senhor, senhor...", mas quer saber de gente que age pelo bem, vencendo os males, o "diabo" interno do ser humano e da nação. Quer saber de gente que age pelo amor, pelos afetos, pela tolerância, pelo fim das desigualdades, pelo fim das torturas e ditaduras. Que age pelo fim do poder dos poderes (do dinheiro, eu digo) sobre as ações humanas e seus argumentos enviesados que compram e convencem. Entendi errado? Pode ser que sim. Sou um tolo. Sou pecador sofrendo por náuseas. Perdão!

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Carta a Deus - de número II

Ontem, Deus, foi o primeiro domingo (pelo que me lembro) em que o brasileiro esteve mais atento à política que ao futebol ou aos tradicionais programas da sua televisão dominical. Isso pode ser um avanço? Estamos ficando mais atentos? Não sei... Não tenho tantas esperanças ainda. Mas talvez seja uma forma de o Senhor nos indicar algo... Também foi uma das primeiras vezes em que o povo viu seus eleitos pelo voto "trabalhando" (atuando, achacando - ou seja lá como chamar aquilo) em pleno final de semana. Coisa rara - no que diz respeito ao trabalho deles! E foi também num domingo, apesar de tantas atrocidades que vimos (independente do resultado, pois ratos há em todo canto naquele cenário) que o brasileiro teve contato com aquilo que ele elege e viu que Poderes não são somente Executivo. Há o Legislativo... Há também, inclusive, o Judiciário. Ah... e há a mídia. Mas os dois últimos, apesar de tudo, não os elegemos.

Ao brasileiro comum, ontem foi o dia em que lhe apresentaram seus representantes eleitos na Casa do Povo! Ontem, o brasileiro comum teve acesso ao que é essa parte do poder Legislativo! Viu toda a podridão que ele (enquanto povo, enquanto eleitor) elege - mas que depois culpa apenas quem está lá, bem lá em cima e toma referência no Poder Executivo: o(a) Presidente(a). Sempre gostamos de "pegar um para Cristo". Não? Somos muito semelhantes aos nossos ancestrais, Senhor. 

Podemos trazer algo disso como aprendizado, Senhor? O brasileiro ter deixado de lado futebol para acompanhar política? Ou o brasileiro ter tido acesso ao conceito de Poder Legislativo, coisas que raramente se debatia por aqui? Ou talvez ter podido entender das consequências e atrocidades que surgem quando se elegem humanos de más intenções e caráter para tais cargos de tamanho poder - inclusive o de sonhar com retirar um(a) presidente(a)? Será então que, sabendo agora dos poderes do Poder Legislativo, vamos cobrar leis que fomentem melhoras amplas, coletivas, combatendo corrupção, combatendo irregularidades que minam nossa saúde e educação públicas de má qualidade há anos? Ou será que vamos achar que Poder Legislativo apenas deve ser "usado" para retirar quem quer que seja?

Ah, Senhor, sei que não merecemos muito crédito em tantas coisas, menos ainda na nossa capacidade de agir como cristãos. Enriquecemos tantos falsos-profetas com dízimos e etc. Aplaudimos tantos messias que em nada têm a ver com tudo quanto foi deixado como em sua Bíblia - e em textos de outros homens de bem que trazem em si e em seus discursos uma religião. Tomamos a preço de deuses os ganhos do capital sonhados na espera das "vitórias" ditadas como se fossem dadas pelo Senhor. Enriquecer hoje é mais importante ainda que agir de forma correta. E isso hoje em dia dá muito mais do que 30 moedas como no caso de Judas... 

Então, temos mesmo que sofrer, mas que, desse sofrimento causador de náuseas, surja algo bom enfim. Ver sempre triunfando a catástrofe e o poder nas mãos de gente que em nada carrega consigo os ideais de fraternidade, de bem comum, ou da indulgência ou da benevolência etc dói, cansa e, sim, faz querer vomitar todo o universo após comê-lo aos goles de lágrimas.

sábado, 16 de abril de 2016

Sobre nossa democracia, sobre nós, sobre vacas e carrapatos - data de 16/abril/2016

Certa vez, compararam vaca com democracia, carrapatos com políticos. Eu entendi. Quis deixar um resumo escrito. Pensar algo e refletir. Saiu então um texto. Quem sabe alguém leia? Quem sabe alguém concorde?

A democracia é uma vaca. Uma vaca recém criada, vistosa, que está dando ainda pouco leite, mas dá leite forte! E tem forças em suas entranhas para dar muito, muito mais leite. É admirada aqui e acolá por tanto leite (e do bom) que dá. Leite, muito leite. Para prover muito bem os cidadãos. De leite precisam! Precisam da vaca! 

A democracia, sim, pode ser vista como uma vaca. Os ganhos através dela podem sim serem vistos como o leite. Metáforas à parte, se bem entendem. Amemos nossa vaca, então, não? Prezemos por nosso leite? Não é óbvio? Aparentemente não é simples assim. Tenho acompanhado nosso povo e nossas redes de informação - televisão, internet etc. Ah, amo nossa vaca e o leite que ela dá. Queria poder fazer algo. No desespero: escrevo. Serve-me de catarse! Pronto.

Antes, por séculos, o país não teve vaca! Nem leite! Teve outras formas de alimentar seu povo. A imensa maioria ficava à mercê de uns que comandavam e comiam de tudo. O povo era provido por migalhas quaisquer caídas no chão - dadas ou que sobrassem... Uns tinham de tudo. Dominavam, mandavam e desmandavam nas leis, nas punições, nas solturas. Detinham todo poder e venciam juntos apesar de amplos fracassos... Viviam bem na harmonia de uma aristocracia que engenhosamente construiu um país repleto de plutocratas. Tempos idos? Não sei. Mas hoje temos nossa vaca que nos provê com seu leite. Precisamos lutar por ela! O povo não se contenta mais com migalhas. Estou certo?

Voltemos à vaca. Afinal, o período do parágrafo acima era de "vacas magras" para o povo. Não havia liberdades individuais, ou promessas e sonhos de ascensão social. Pobre? Era necessário apenas para ser mão de obra ou vir "do interior" para trabalhar nas casas como serviçais ou nas indústrias e construção civil como operários. Não? Negros? Eram resquícios do regime escravocrata que em nada teríamos a ver com ele nos dias de hoje... Certo? Desde que tivemos a ideia de termos uma vaca, termos um país amplo e uma nossa (aos nossos moldes) democracia, algo na cabeça das pessoas foi sendo construído. Conceitos de pluralidade... De benefícios aos desprivilegiados etc. Seria lindo se todos sonhassem juntos com um país menos desigual... Seria lindo.

Um dia, resolveram ver que a vaca estava grande e que havia leite bastante. Viram que o leite não devia ir para fora do país mais, mas sim para nosso povo mesmo! Nutrir em sua fome toda nossa nação faminta e largada às migalhas ainda. E assim foi feito. Através de nossa "vaca", foi-se dando um pouco, mas uma quantidade respeitável de leite, leite, leite... Ah, que coisa linda ver o povo deixando de ser faminto de muitas coisas... 

[ Voem metáforas... Voem ... ]

Mas, como toda boa vaca, atraíram-se vários carrapatos que quiseram (e querem) sugar a saúde da vaca. Carrapatos de vários tipos, tamanhos. De famílias de longos tempos de "carrapatices"  ou, também, carrapatos de vida recente, mas que sabiam desde logo sugar, sugar... Nada de serem comensais, algo assim, e contribuir de forma benéfica, lícita, respeitosa...! Sugavam... Sugavam...

Outros carrapatos cresceram às custas das sombras de seus carrapatos familiares, por vezes já falecidos. Outros carrapatos, em conchavos, ganharam espaço aos trancos e barrancos, minando nossa vaca leiteira daqui ou dali. Listas inteiras de carrapatos foram se acumulando, mas ninguém quis ver. Nossa vaca era grande demais para olharmos os detalhes dela. Olhávamos o todo e só. Era uma vaca. Pronto! E dava leite. Ponto!

Chegou então um tempo em que os carrapatos caíam por si mesmos. Sua ganância por sugar nossa vaca leiteira foi tanta que eles, preocupados em sugar, lavavam as mãos, digo, largavam as mãos - ou patas. Carrapatos caiam, caiam...caim... À esquerda, à direita, da cabeça ao tronco e aos pés: carrapatos gordos caindo aos montes, mas não vimos todos. Eram muitos e nem olhávamos de perto nossa vaca. Nos contavam dos carrapatos. Mas eram carrapatos de todos os tipos... De todas as cores. Em Listas, em grupos... Vimos com nossos próprios olhos alguns que nos traziam para perto dos olhos.

Daí, entendi: nosso leite indo para nutrir o povo incomodou muitos. Será que pensavam que o povo deveria voltar a viver de migalhas? Resolveram então culparam os carrapatos que estavam na cabeça da nossa vaca! Esqueciam-se por completo de que todo o resto do corpo era puramente carrapatos sobre carrapatos. Por todos os lados, sugando o sangue de nossa vaca tão produtiva. 

Nossa vaca passou a sentir-se fraca. Foi-nos sendo mostrado isso. A olhos vistos ou em números... Eram carrapatos demais em todo o seu corpo e a vaca sofria. O leite era difícil de ser furtivo, uma vez que a vaca estava sendo sugada e sobrevivia corajosamente sendo vilipendiada, sugada. Ah, coitada da vaca: tão jovem, com tanto leite já dado, ainda mais leite por ser dado e produzido, mas com maus cuidadores, tantos, relapsos - todos... Nossa vaca sofria. Carrapatos ficavam gordos e fortes. Sentiam-se fortes. Não tínhamos conhecimento de todos eles e nos era confortável pensar que eram poucos, um grupo só. Pronto! 

Enfim, todo o grupo de carrapatos se uniu contra os carrapatos que estavam na cabeça. Queriam estar naquela cabeça da vaca a incomodar os olhos dela e orientar novos horizontes à nossa vaca - ou levá-la ao matadouro, quiçá? Quem sabe isso? Sinto que alguns carrapatos ficariam felizes se voltássemos a dar migalhas ao povo, não? Iriam alguns carrapatos, sem a vaca, ser carrapatos em outras bandas... Eles ficariam bem, decerto, confiantes que estavam.

Tentaram, não conseguiram chegar à cabeça. Carrapatos então passaram a espalhar a notícia de que a vaca estava podre de carrapatos e mais carrapatos. Uns tantos esconderam-se por debaixo dos pelos para não serem vistos sugando. Diziam também que o leite não merecia receber nossa valorização, nem dar nosso  autoprestígio e nossa autoestima... Convenceram muitos dos cuidadores de que a vaca estaria perdida, danada, entregue, pronta e posta para morrer. 

Pronto, tudo caminhava bem! Decidiram ser viável então acabar com os carrapatos na cabeça da vaca. Como queriam fazer isso? Convencendo os cuidadores de dar um tiro na cabeça da vaca. Sim... E seria assim? 

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Até onde fiquei sabendo, a história da vaca era essa. Qual seria o fim da nossa vaca? Não sei dizer. Sei que há os carrapatos - na cabeça e, mais ainda, em todo o corpo. Sei que nossos cuidadores da vaca estão desatentos, indecisos, raivosos, desunidos, desinformados... 

A vaca nem tem dado tantos lucros mais assim, correto? Mas sei muito bem da força e da beleza de nossa vaca - de sangue forte, de entranhas firmes, de leite farto! Vaca de raça! Não quero que matem nossa vaca. Nem quero que nossa vaca tenha carrapatos, entretanto! Quero os carrapatos fora, um a um - estejam ou não escondidos debaixo dos pelos.

Quero nossa vaca sã e quero, acima de tudo, melhores cuidadores de nossa vaca. Assim, somente assim, teremos vaca, leite e cuidadores bons e fortes o suficiente para nunca mais haver carrapatos ou quaisquer que queiram vilipendiar nossa vaca (e nós mesmos!) de alguma forma. 

quarta-feira, 13 de abril de 2016

Sertão maior não há.

Sim, novamente estou refletindo. Nossa cabeça nunca para, não? E nesses últimos tempos, pensando, refletindo, em andanças pelos canais da televisão, pelos jornais, pela internet - com suas redes sociais: tenho pensado um pouco no nosso país - mais do que gostaria, até. 

De tudo: restou-me na mente um trecho de João Guimarães Rosa, em Grande Sertão: Veredas: "...Mas a água só é limpa é nas cabeceiras. O mal ou o bem estão é em quem faz; não é no efeito que dão. O senhor seguinte, me entende...".

E, nisso, vem outro pensador e sussurra. Fernando Pessoa, em trecho de poema seu: "...Arre, já basta! Não sei o quê, mas já basta (...) Que náusea no estômago real que é a alma consciente!"

Onde estará o fim desse atraso? Onde estará o ponto de onde partiremos para o progresso? Eita, país nosso! Sertão maior não há. 

sexta-feira, 1 de abril de 2016

1/4/2016

"Nunca se mente tanto quanto: numa guerra, em vésperas de eleição e após uma caça [ou pesca?!]". Já disseram certa vez... Também é jargão dizer: "numa guerra, a primeira que morre é a verdade".

Como é triste estarmos em guerra nesse Brasil dos anos idos de 2016... Mentiras por todos lados ainda! Ódio nas ruas... Vantagem atual? De um lado há investigação... De um lado há. 

Quem sabe a marcha pelo fim das mentiras se junte às contra corrupção e, acima de tudo, atinjam todos os "lados"? Investigações amplas que coloquem todos os mentirosos no seu devido lugar: longe do poder público e dos holofotes. 

Não é mesmo? Eu confio na justiça... Feliz Dia da Mentira.

Precisamos de um projeto de nação

Não há debates quanto a um projeto de país. É bem difícil, de fato, criar algo com unanimidade. Porém, é plausível construir algo aceitável aos olhos de boa parte ou da maioria. 

Qual país queremos? Eis a questão. Uns defendem um país que insista no combate às desigualdades com incentivos através de bolsas, através da inclusão (PROUNI, FIES, PRONATEC)... Debates com as minorias e empoderamento delas. Liberdades individuais inclusive para ascensão social. Em resumo tosco, poderia ser assim. 

Outros não creem nisso. Creem que país forte é país com empresas fortes, mandatários de grandes empreendimentos e fortunas com isenções e liberdades para que possam investir e gerar capital que irá circular. Sim? Não? Vejo isso.

Eu penso com a primeira hipótese. Até porque a segunda hipótese, mais amplamente difundida, perpetuou o mundo onde hoje temos 1% das pessoas tendo a riqueza de todas as 99% restantes e onde 62 pessoas, sim, 62 pessoas têm aquilo que metade das pessoas do planeta detém. Isso me causa alarde e acho que precisamos mudar essa realidade. Aos poucos, sim. E essa mudança inicia-se na educação crítica e reflexiva necessária, aos moldes de Paulo Freire e outros estudiosos, que culminará com debates e argumentações cada vez mais uníssonas e progressistas ao todo. Mas desde já: vamos iniciar nossos debates e cobrar uma educação em melhores moldes.

Enfim, qual país queremos? Qual modelo se identifica conosco? É preciso sim pensar e debater isso em casa, com amigos, na escola, faculdade, trabalho. Parar de apenas discutir se esse ou aquele governante é bom ou ruim, pois governantes passam, mas o país e a realidade não. O projeto de país que vai sendo construído é o que fica. E que haja justiça, sempre, para todos! Sem pessoas isentas de investigações por fazer parte desse ou daquele grupo. Basta disso e basta de conivência!

Precisamos debater! Embora haja tanto ódio nos argumentos hoje - secundário à visão messiânica que temos de política e atuação de setores de mídia/informação, no geral: cabe insistir em debater, ouvir, argumentar e aprender. Uns com os outros! Do contrário, estaremos sempre fadados a romper estruturas e recomeçar do zero, pois nunca conseguiremos ver coisas boas que possamos já ter achado, uma vez que nunca exercemos o dever de procurar saber o que buscamos, de fato. Somos formados para ser coniventes com projetos de poder, mas não com projetos de país. 

Quem não sabe o que procura, não entende o que acha. E, do que acha, não entendendo, desfaz-se facilmente. Daí, nunca teremos um "arranhacéu" como país, mas sempre "construções diminutas", de andares baixos, um ou dois, acostumados que estamos a sempre vir alguém para desconstruir os alicerces e recomeçar com outros moldes e novos norteamentos. Basta disso! Precisamos de um projeto de nação.