sexta-feira, 1 de abril de 2016

Precisamos de um projeto de nação

Não há debates quanto a um projeto de país. É bem difícil, de fato, criar algo com unanimidade. Porém, é plausível construir algo aceitável aos olhos de boa parte ou da maioria. 

Qual país queremos? Eis a questão. Uns defendem um país que insista no combate às desigualdades com incentivos através de bolsas, através da inclusão (PROUNI, FIES, PRONATEC)... Debates com as minorias e empoderamento delas. Liberdades individuais inclusive para ascensão social. Em resumo tosco, poderia ser assim. 

Outros não creem nisso. Creem que país forte é país com empresas fortes, mandatários de grandes empreendimentos e fortunas com isenções e liberdades para que possam investir e gerar capital que irá circular. Sim? Não? Vejo isso.

Eu penso com a primeira hipótese. Até porque a segunda hipótese, mais amplamente difundida, perpetuou o mundo onde hoje temos 1% das pessoas tendo a riqueza de todas as 99% restantes e onde 62 pessoas, sim, 62 pessoas têm aquilo que metade das pessoas do planeta detém. Isso me causa alarde e acho que precisamos mudar essa realidade. Aos poucos, sim. E essa mudança inicia-se na educação crítica e reflexiva necessária, aos moldes de Paulo Freire e outros estudiosos, que culminará com debates e argumentações cada vez mais uníssonas e progressistas ao todo. Mas desde já: vamos iniciar nossos debates e cobrar uma educação em melhores moldes.

Enfim, qual país queremos? Qual modelo se identifica conosco? É preciso sim pensar e debater isso em casa, com amigos, na escola, faculdade, trabalho. Parar de apenas discutir se esse ou aquele governante é bom ou ruim, pois governantes passam, mas o país e a realidade não. O projeto de país que vai sendo construído é o que fica. E que haja justiça, sempre, para todos! Sem pessoas isentas de investigações por fazer parte desse ou daquele grupo. Basta disso e basta de conivência!

Precisamos debater! Embora haja tanto ódio nos argumentos hoje - secundário à visão messiânica que temos de política e atuação de setores de mídia/informação, no geral: cabe insistir em debater, ouvir, argumentar e aprender. Uns com os outros! Do contrário, estaremos sempre fadados a romper estruturas e recomeçar do zero, pois nunca conseguiremos ver coisas boas que possamos já ter achado, uma vez que nunca exercemos o dever de procurar saber o que buscamos, de fato. Somos formados para ser coniventes com projetos de poder, mas não com projetos de país. 

Quem não sabe o que procura, não entende o que acha. E, do que acha, não entendendo, desfaz-se facilmente. Daí, nunca teremos um "arranhacéu" como país, mas sempre "construções diminutas", de andares baixos, um ou dois, acostumados que estamos a sempre vir alguém para desconstruir os alicerces e recomeçar com outros moldes e novos norteamentos. Basta disso! Precisamos de um projeto de nação.